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sexta-feira, 24 de julho de 2015

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 03 ).

Sentar-me diante do notebook e transmitir alguns pensamentos junto com alguma arte para vocês não é nenhum castigo, muito pelo contrário, o que pega mesmo é em relação ao que vou escrever; não que me falte assunto, tenho alguns contos mais ou menos cimentados na cabeça (mas isto demanda um tempo extra que não tenho tido ultimamente), gostaria de voltar ao "OBRAS QUE RECOMENDO" e tecer comentários sobre alguns quadrinhos (ou livros) que julgo ser um dos grandes de todos os tempos mas não tenho conseguido revisitá-los - espaço no dia, é tudo o que eu preciso!

Este blog se tornou um diário onde transponho memórias e impressões da vida, isto, claro, sem falar a fundo sobre religião e política, duas coisas que, noto, geram polêmicas que desembocam no mais profundo ódio. Nunca em minha vida eu vi tanta intolerância por parte das pessoas, você não pode mais dar sua opinião sobre um assunto se esta opinião for contrária ao que pensa a maioria; se você corajosamente se posiciona, é isolado como um inimigo do bem comum, um fascista, um nazista, um fundamentalista e outros "istas". É censura, mas não aquela imposta por um regime, ela é feita pelo seu próximo, seu vizinho, seu colega na mesa ao lado e na pior das hipóteses, seu familiar. Democracia? Bobagem, isto não existe mais. Mas é melhor eu parar por aqui.

Meu problema em escrever sobre minhas sensações é o temor de ficar repetitivo, não tem sido segredo que minha vida tem sido uma baita complicação a muito tempo, este ano em particular as coisas desandaram. Claro, já tive momentos piores. O tempo que morei no Rio me deu a exata medida do que é estar sem amigos e nenhum dinheiro, em São Paulo no início dos 90 também vieram ondas e ondas de dissabores que eclipsaram os momentos de calmaria e alguma alegria, mas havia a força da juventude para não deixar esmorecer. Hoje, como naqueles tempos, uma desventura chama outra e como disse a minha amiga e escritora Carla Ceres, problemas são covardes e só atacam em bandos, principalmente quando você está fragilizado. Minha saúde e fôlego já não são os mesmos, mas tenho que brigar como se tivesse 20 anos!
Meu pai continua em coma induzido no hospital, as contas se avolumam e no meio do furacão eu preciso encontrar a motivação para o trabalho, sim, porque produzir arte por mais que ela seja (ou pareça) industrial, carece de um mínimo de paz de espírito para ser criada.

Um fato pitoresco, se podemos chamar desta maneira, ocorreu ontem: por volta das 18:30 o gás acabou. A menina que nos fornece o produto fica com as portas abertas até as 18:00 hs. Tudo bem, disse a Vera, comeremos pães e frios. Hoje pela manhã liguei para a moça e pedi o gás. Detalhe: o dinheiro que eu tinha estava planejado para outra coisa, mas a vida é assim, temos que abrir um buraco pra tampar outro.
Depois de um tempo que me pareceu ser mais longo que o normal, um rapazinho banguela apareceu com o bujão. Paguei, peguei o troco e o menino foi embora. Hora de trocar o gás e finalmente preparar o desejum, ao colocar a mangueira, o danado começou a fazer um barulho alto, como de um líquido comprimido esguichando furiosamente. A Vera se assustou e disse: Tampe imediatamente! Fiz. Um cheiro terrível tomou conta da cozinha, abrimos as portas e janelas sem perda de tempo. Liguei para o depósito e relatei o ocorrido, não demorou e dois moços vieram resolver o problema, era uma borrachinha que não estava bem encaixada na entrada do bujão, trocaram a peça e o caso ficou concluído.

Não quero ser dramático mas já soube de inúmeros casos onde problemas com gás terminaram em tragédia. Deus está sempre me livrando de coisas desse tipo. Glórias ao Seu nome.

Bom, por hoje basta. Deixo com vocês a terceira imagem de Brás Cubas e os votos de um bom fim de semana.


8 comentários:

  1. Nossa, Schloesser! Palmas pros seus anjos-da-guarda que providenciaram um vazamento espalhafatoso. Os vazamentinhos discretos são os piores porque as pessoas não percebem e acabam morrendo envenenadas ou numa baita explosão, quando o gás se espalha pela casa. Acho impossível alguém considerar sua arte industrial. É Arte mesmo, do tipo que mata a gente de admiração e inveja. Parabéns pelo desenho! Obrigada por citar minha "pérola de sabedoria" sobre os problemas! :) Se cuidem, viu? Abraço!

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    1. Nem me fale, Carla! Gás é problema, seja ele de bujão (ou butijão, como é conhecido em outros lugares) ou encanado. Felizmente não foi nada, só um baita susto.

      Por arte industrial eu quis dizer sobre estas que tenho que produzir sob encomenda e rápido. De qualquer forma pra mim não importa, procuro fazer o melhor que posso e agradeço demais suas palavras gentis, você não imagina como um incentivo ajuda. É igual a uma torcida animando um time.

      Quanto a sua citação sobre os problemas, penso que o que é sábio deve ser propagado com os devidos créditos.

      Grande abraço e bom sábado e domingo pra você e o Leroy.

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  2. Já tive um "incidente" com botijão, há uns 10 anos. Mas não era líquido. Era gás disparando, como se fosse jato de extintor. Corri com ele da cozinha e caí 2 vezes em direção a sala que não era longe. Minha mãe chamou os bombeiros e taparam a porcaria.

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    1. Rapaz, problemas com butijão de gás são foda, né? Fico muito preocupado aqui onde moro pois noto que muitas coisas não tem a fiscalização devida, nem sei se Inmetro deu seu selo de qualidade pro gás desses bairros. Bem, que bom que deu tudo certo pra você e pra mim.
      Abração.

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  3. Olá Eduardo,

    Muitas vezes me sinto como você: Preciso lutar mas as forças e o ânimo já não são mais os mesmos. E olha que não tenho metade dos problemas que você mencionou. Eu gostaria de poder ajudar mas, no momento, as coisas também não vão nada boas por aqui. Sinto mesmo por que considero você um grande artista que deveria estar sendo disputado à tapa pelo mercado nacional.

    Desejo melhoras para o seu pai. Desejo que você encontre forças e ânimos para continuar na batalha. E desejo para você mais vitórias pois elas nos dão um doce sabor de que vale a pena continuar.

    Um abraço do amigo
    Leonardo Santana

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    1. Muito obrigado pela torcida e votos, meu caro amigo Leo. Sei muito bem que se tivéssemos um mercado promissor e se dependesse de você eu teria sempre trabalho com a remuneração justa. E olha que não sou apenas eu a reclamar, tem um bocado de artistas bambambãs desesperados atrás de trampo em São Paulo, alguns até participaram de importantes graphic novels nacionais. Sei por boa fonte.
      Os ladrões no poder desde 2002 arruinaram este país. Será que dá pra recuperar?

      Desejo muita sorte a você também.

      Grande abraço.

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  4. Olá, Eduardo! Faz algum tempo não passo por aqui para deixar comentário, mas resolvi deixar justamente nesse e não no mais atual. Esse lance do gás é mesmo perigoso e que bom que nada mais grave aconteceu. Essa fé em Deus e nos livramentos que ele nos dá é muito importante. Eu, apesar de não ser evangélico, acredito que tenha sido salvo algumas vezes de coisas nada benditas.
    Que as coisas melhorem e que você tenha forças. Meus votos. Grande abraço!

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    1. Você é sempre bem vindo e sua presença sempre me alegra, Gilberto. Obrigado!

      Olha, ser evangélico, pertencer a esta ou aquela denominação, todas estas coisas, não importa, o que interessa é crer em Jesus, segui-lo e nortearmos nossos caminhos nos passos Dele, isso sim é algo que recomendo. Frequentemente ele nos livra de coisas que nem imaginamos.

      Grato pelos votos e rogo a Deus que tudo vá bem com você aí também.

      Abraço forte.

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