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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

ZÉ GATÃO - CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO RELEMBRADO.



O EVERTON VERAS É UM CARA MUITO LEGAL E ARTISTA DE MÃO CHEIA! ELE CRIOU A TIRA GIL ASTRO, COM HISTÓRIAS BEM DIVERTIDAS QUE ME REMETEM AOS SERIADOS SI-FI SETENTISTAS. 

ELE VEM RESGATANDO MEUS ANTIGOS ÁLBUNS EM ÓTIMOS TEXTOS PARA O BLOG CYBER AEON.                   

BRIGADÃO, EVERTON!


CONFIRAM:

 ZÉ GATÃO – Crônica do Tempo Perdido


zc
Oi gente, como prometido, segunda postagem sobre o personagem Zé Gatão e seu criador, o mestre Eduardo Schloesser! Depois de “A Cidade do medo”, lançado em 1997 e que falei na postagem anterior, ele conseguiu lançar “Crônica do Tempo Perdido” em 2003, editado pelo competente Jotapê Martins e sua editora, a Via Lettera. Continuava a luta de um autor nacional para levar seu personagem e suas desventuras a um público cada vez mais focado nos comics, que já vinham às enxurradas nos anos 1990 e, agora, fascinado pelos mangás, que dominam as bancas desde então. Ainda em 1998, Eduardo e Jotapê se encontraram em um evento e daí surgiu a oportunidade para este álbum.
O sofrido processo de “gestação” de Crônica do Tempo Perdido é contado pelo autor em diversas postagens e também nas publicações, e tudo serviu de base para este post. Dificuldades financeiras e editoriais, além de problemas familiares, o desestimulariam e muito… mas não o impediram de trabalhar suas HQs. Eduardo é um lutador. Uma das histórias mais auto-biográficas onde enfia o Zé Gatão foi desenhada em sulfite, numa prancheta, com esferográfica e caneta de retroprojetor! Chama-se “Palavras venenosas” e é uma das histórias mais intimistas do personagem, feitas num dos piores períodos da vida do autor. Não há como não admirar e entrelaçar criador e criatura lendo o Gatão, mas nesta HQ, principalmente, isso salta à percepção.
“Crônica” difere do primeiro título em muitos pontos. A capa já chama atenção por ter sido feita para ser o perfeito oposto da anterior: aqui, vemos Zé Gatão de frente em fundo preto – como este álbum também é conhecido. O estilo de arte foi o que mais me fisgou. Além da evolução no traço ser nítida, há ainda a variedade de técnicas. Fora a esferográfica citada acima, Eduardo melhorou desenho e arte-final (destaco “As noites do Texugo”) e ainda nos trouxe belas pin-ups e toda uma história finalizada somente à lápis (“Nada pessoal”). Particularmente, essas são as artes dele que mais curto: Schloesser é FODA no uso do lápis. Entre suas influências ele cita Richard Corben, Tanino Libertatore e Frank Frazetta.
Mas nem só de arte vive esse quadrinho: o texto também é importante, e aqui contou com a edição de Jotapê, que disse a Eduardo que algumas coisas deveriam ser cortadas para que pudessem publicar o álbum. Algumas histórias, infelizmente, ficaram de fora, e o autor optou por não publicá-las mais (pena!). As selecionadas tiveram o texto cuidado pelo editor, e na minha opinião, isso foi positivo, deixando as HQs mais ágeis (pois Eduardo não apenas desenha muito, mas também escreve: seus balões e recordatórios normalmente são repletos de texto). Também havia a questão do conteúdo adulto: violência extrema e sexo explícito. Pessoalmente, acho bobagem, visto que é um material pra adulto ler mesmo! Não tem nada de infantil em Zé Gatão, mas as editoras tem certo receio, como se fosse chocante demais e não vendesse. Eu pergunto então: se materiais estrangeiros, tão ou mais violentos e abertamente pornográficos tanto quanto o Zé gatão, vendem, porque diabos esses editores acham que ele não venderia?
Ainda sobre o texto, as histórias trazem o Zé naquela situação que falei anteriormente: as vezes ele é mais coadjuvante do que protagonista, o que dá ao autor a oportunidade de contar outro tipo de HQs, mais contidas. Este álbum, assim como o da PADA (que eu ainda não tenho! me ajudem aí, pessoal!) é composto por histórias curtas, mas nem por isso menos interessantes. Sobre o formato, ele tem mais páginas que o álbum branco, que tem cerca de 70 (este tem umas 120), porém perdeu em tamanho, que é próximo ao formato americano, enquanto o anterior era tipo magazine. Sobre as histórias:
“A rádio maldita”: trabalhando numa rádio pirata, Zé narra ascensão e queda de uma banda. zc2
“Nada pessoal”: Zé se vê entre uma esposa infiel um marido traído! Arte fenomenal à lápis, numa das melhores HQs do gato, contada sem texto, apenas com narrativa.
“Galo de briga”: trabalhando numa pedreira, Zé Gatão tem seu primeiro contato com insetos.
“Crônica do tempo perdido”: Mais uma experimentação, esta é a menor HQ da edição, onde o Zé relembra seus fracassos amorosos na forma de belas pin-ups.
“As noites do texugo”: a maior história, ultra-violenta, conta a saga de um assassino que encontra em Zé Gatão o único capaz de lhe dar uma morte digna.
“Palavras venenosas”: misto de autobiografia e ficção, põe Zé gatão no papel de seu autor. Tem a arte mais crua da edição, feita à duras penas por Schloesser.
É isto por ora, gente. Não deixem de conferir o novo livro em quadrinhos de Eduardo Schloesser com o Zé Gatão: “Daqui para a eternidade”, já á venda nas livrarias e comic shops! Vamos prestigiar o quadrinho nacional de qualidade!
Até a próxima!
zc3


4 comentários:

  1. Que postagem sensacional do Everton Veras, Schloesser! Parabéns aos dois!

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    1. Muito obrigado, Carla! E esse você não tem, né? Ele anda difícil de achar mesmo.

      Grande abraço.

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  2. Respostas
    1. Pois é, e esse tá esgotado na editora faz tempo e é difícil de achar em sebos e comic shops. Será que um dia alguma editora reedita?

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