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domingo, 14 de janeiro de 2018

ALGUNS FLASHES DO PASSADO (PARTE UM)


Muito da nostalgia que eu tinha cessou, não penso mais com tanta frequência no passado, nem faço mais tantos planos para o futuro, sinto-me como se futuro não tivesse, o presente me obriga a focar nele, somente nele, em sobreviver ao dia e agradecer a Deus por conseguir chegar ao seguinte. Mas hoje, por algum motivo eu me lembrei de um incidente acontecido numa noite qualquer da primeira metade da década de 80.
Rodrigo, o meu irmão caçula, ao desligar um fio de uma tomada, ficou agarrado ao mesmo levando um tremendo choque. Meu outro irmão, André (que hoje é médico), vendo-o naquela situação, chutou a tomada , arrancando o fio da fonte de energia. O pobre menino ficou com as mãos queimadas, cheias de bolhas; assim que soube do ocorrido eu o coloquei de "cavalinho" nas minhas costas e junto com minha mãe nos conduzimos até a emergência do Hospital de Base de Brasília, que ficava perto de nossa casa. Lá, ele foi bem atendido. Enquanto enfaixavam as mãos dele, vi deitado em uma maca, um cara sem camisa, só de bermuda, cheio de sangue e hematomas, o cara parecia sentir muita dor pois de quando em quando ele estrebuchava e gemia alto. Próximo a ele uma moça muito bonita e elegantemente vestida se mortificava. Perguntei a um auxiliar de enfermagem que passava por ali se ele sabia o que tinha acontecido com aquele moço. "Aquele cara? Ah, ele foi mexer com uma mulher acompanhada e o namorado dela, que é faixa preta de caratê, deu-lhe uma surra que o deixou neste estado, a bonitona ali é a noiva dele!" Fiquei boquiaberto com aquilo, eu pensei que ele havia sido atropelado! Mas na verdade não era uma surpresa, eu sabia que apenas nos filmes um cara leva um monte de porradas e só fica com um pequeno corte nos lábios e algumas escoriações.
Certa vez, uma cara que eu conheci, tinha a mania de se meter em brigas por bobagem, numa ocasião ele se defrontou com um cara quieto, de baixa estatura e jeitão de índio; o baixinho deu-lhe uma surra tão feia que o meu conhecido até cagou nas calças, foi difícil socorrê-lo devido ao cheiro.
Um outro, amigo de infância, a quem chamaremos de C, vivia se metendo em tretas, desafiava todo mundo, até a polícia, quando o pegavam fumando maconha. "A sua sorte é que você está do lado certo da arma", dizia ele ao policial. Um dia, ele foi convidado por um outro rapaz da nossa quadra, que chamaremos de R, para tomar banho na piscina de um colégio, lá pelo lado da L2. Estavam muito bem, falando merda na água, quando apareceu o segurança do colégio querendo saber o que faziam ali. R disse que era sócio da piscina e C seu convidado. O segurança era um sujeito de uns 50 anos, magro, alto, ex-militar em muito boa forma, que disse: "Ok, você eu conheço R, mas você sabe, não é permitido tomar banho aqueles que não são sócios. Peço que seu amigo saia da piscina imediatamente!"
C esquentou, saiu da água cheio de imprecações: "Tá pensando o quê, ô coroa! Eu te encho de porrada!" O milico só limitou a aplicar-lhe um violento "telefone" e C caiu desmaiado ali mesmo. Foi socorrido pelo próprio segurança.

A vida é bem mais feia e complicada do que nos filmes, romances e quadrinhos.

Terminam aqui as minhas reminiscências por hoje.

Deixo com vocês um desenho encomendado e já entregue faz tempo.


Fiquem todos bem








4 comentários:

  1. Já tomei choques, mas foram rápidos e nada graves.

    Bem por aí... Tem cara que se acha o intocável e imbatível rei da porradaria, até levar uma surra tremendona.

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  2. Certa vez eu tomei um choque feio, pelo menos amim pareceu, porra, que coisa mais horrível, por menor que seja é uma sensação desagradabilíssima!

    E no tocante à valentia, eu prefiro evitar atritos o máximo que eu possa, nunca se sabe quais as consequências de uma briga, mas há perdas para os dois lados, eu penso.

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  3. Bendito chute, Schloesser! Conhecemos muitos técnicos em eletrônica. Alguns levaram choques tão fortes que foram parar na UTI e saíram com sequelas neurológicas. Vai saber o que aconteceria com uma criança pequena! Parabéns pelo desenho!

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    1. Sim, Carla, eu diria que Deus deu um grande livramento ao meu brother caçula, e ainda bem que foi o André que o encontrou naquela situação e teve presença de espírito, se fosse a minha mãe seria bem provável que ela se agarrasse a ele e levasse o choque junto

      Obrigado pelo elogio e forte abraço!

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