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domingo, 8 de abril de 2018

FOTONOVELAS.


Os livros sempre foram a mais genuína forma de me desconectar da realidade por mais que a realidade estivesse inserida neles. Sempre gostei de ler, não é nenhuma novidade, canso vocês ao repetir isto aqui. Dentre as tantas coisas que consumi em termos de leitura existem as fotonovelas. Isso mesmo, já li muita fotonovela! Verdade que não eram as minhas leituras preferidas, se tivesse que escolher entre um livro de bolso desses que infestavam as bancas de antigamente e uma fotonovela, eu ficaria com o livro de bolso. 
Não lembro exatamente qual foi a primeira fotonovela que li na vida, mas recordo de uma lá pelos idos de 1974 (acho que era esse o ano), que me marcou bastante, não ao ponto de me lembrar do enredo, mas por associá-la a uma música do Odair José que tocava no rádio - a música em questão não era a da "pílula" ou do cara que queria tirar a garota da vida de prostituição, mas uma mais intimista chamada "Lembranças" (aliás, muito boa música!) - rememoro também que eu pintei a calça de um dos personagens de vermelho com uma caneta hidrocor vermelha. Foi um período melancólico da minha vida em São Paulo.
Certa vez, não sei dizer exatamente onde e quando, li uma narrativa em fotos que falava sobre uns fantasmas em uma casa, aquilo era verdadeiramente arrepiante!


O período que mais li este tipo de publicação foi por volta do ano de 1977 quando meu pai arrendou uma pequena banca de jornal para tirar uma grana extra, que ficava na SCRLN 711, em Brasília. Foi meu primeiro emprego, nunca ganhei um salário trabalhando lá mas li muita coisa legal. Fora dos momentos de pico, que geralmente era depois das 14 horas até as 18, eu tinha muito material à disposição. Só não curtia muito os jornais, e eles nem duravam muito, nosso reparte era pequeno e normalmente acabava logo. Depois de devorar os quadrinhos e as revistas - tanto as de teor jornalístico como Manchete e  Realidade bem como as de fofoca de televisão - sobravam, claro, as fotonovelas. A que mais fortemente vem à memória era a Jacques Douglas com o falecido galã italiano Franco Gasparri. Eram tramas policialescas misturadas com romance e alguma comédia. Era interessante mas tinham algumas inseridas na Revista Grande Hotel que realmente chamavam a atenção, principalmente quando o enredo entrava forte no suspense, onde a vilania por vezes se sobrepunha ao bom mocismo do protagonista e dava até pra roer as unhas durante a leitura. Os italianos eram muito bons neste tipo de escapismo.


Certa vez, eu e toda a família fomos passar um fim de semana numa chácara no interior de Goiás, era um desses lugares onde não havia conforto, nenhuma rede para se espreguiçar ou coisa do tipo. Fazia calor e a poeira do lugar secava a garganta, o melhor lugar para ficar durante a tarde seria no Opala do meu pai mas eu não podia ligar o rádio para ouvir música - para não acabar com a bateria do mesmo - e nem suportaria por muito tempo, a quentura era muito forte. Eu era o mais velho e tinha que tomar conta dos irmãos menores (eles não vão se lembrar disso, eram muito novos). Até que dentro de uma caixa com umas tralhas que tinha na casa havia uma fotonovela. Era de formato grande, não era lombada quadrada, era de grampo. Não tinha capa e faltavam as quatro primeiras páginas, consequentemente as quatro últimas também. Ou seja, não tinha começo nem fim, mesmo assim, para passar o tempo eu devo tê-la lido umas quatro vezes, pois era uma fotonovela danada de boa!


Claro que nós os brasileiros fizemos as nossas fotonovelas com os galãs da época, atores de novelas e cantores populares, mas nem de perto chegavam aos pés das edições italianas.


Acho que esse tipo de cultura passou, não vejo mais estas publicações em circulação; caiu de moda? Por que será? Desgaste do gênero? Nos tornamos menos sonhadores e românticos? Sabe-se lá!


Essas fotos eu roubei de outros blogs sobre o tema fotonovelas, mas nem li o que diziam.

Beijos a todos e até semana que vem com mais um besteirol da minha parte.





























11 comentários:

  1. Boa lembrança, Mestre. Em tempos de não internete as fotonovelas também faziam parte de minhas leituras juvenis, rsrs. Era tarado pelas fotonovelas de espionagem, as de suspense e as de suspense com toques de terror. Jacques Douglas? caramba, me maravilhava! No início do projeto do NCT uma das ideias era produzir uma fotonovela d terror curta nos moldes daquelas antigas a título de homenagem, mas de tanto o Bruno Pinotti insistir q ia dar muito trabalho e o público jovem não ia gostar, abortamos a ideia, pena.

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    1. Opa, Allan, obrigado por sua visita e comentário!

      Eu ando meio saudosista nestes tempos do fim, ando ouvindo muita música de antes dos anos 60. Se pudesse eu leria umas boas fotonovelas para completar o quadro, hahahaha!

      E que pena que vocês abortaram a ideia de uma narrativa de terror em fotos, tenho certeza que ficaria muito legal, apesar de trabalhosa. Mas não descarte a possibilidade, podemos pensar em algo no futuro, o que acha?

      Grande abraço!

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  2. Interessante.
    Nunca li fotonovelas. Nos meus tempos de colégio, além dos meus gibis, redescobri Tex que tinha numa biblioteca escolar onde também tinha diversos A Espada Selvagem de Conan.
    Além dos livro que escolhia pra fazer trabalhos de redação.

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    1. Nunca leu uma fotonovela, Anderson? Bem, acho que você é muito novo, penso que elas já estavam fora de moda quando você começou a se interessar por leitura, mas elas foram muito populares nos anos 70. Por ser considerado leitura para mulher, eram tidas, como as novelas hoje em dia, coisa de titia, mas eu nunca tive preconceitos, se o produto é bom eu leio, e creia, li muita coisa interessante; não sei se hoje eu acharia bom, mas quando garoto eu me deixava envolver pelas tramas. Pensando bem, apesar dos percalços daqueles dias, foram bons tempos se comparados aos de hoje. Viva a juventude!

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  3. MEU AMIGÃO LUCA DEU SEU RECADO EM MEU EMAIL, TRANSCREVO AQUI:

    "Fotonovelas! Também fui um leitor assíduo! Li também uma série que pertencia à minha irmã chamada aqui no Brasil de Lili Modelo. Tudo leitura de mulher, segundo diziam! Mas eu gostava e me divertia muito com ambas as leituras nos idos dos anos 70. Depois as duas publicações caíram de moda e desapareceram. As gerações seguintes desconhecem e nem sabe que a Fotonovela existiu e que havia várias publicações sobre o tema no passado. Foi legal da sua parte relembrar este ícone dos anos 70 que foi a Fotonovela. Quanto a Lili que ninguém mais conhece, fiz uma breve referência a revistinha naquela página dos ex-adolescentes da década de 70. Muito pouca gente se recordou. É isto! Excelente Post! Abraço."

    GRATO, LUCÃO!!!

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  4. Ótima postagem, Schloesser! Eu nem sabia que existiram fotonovelas estrangeiras, de terror e mistério. A única que eu li era romântica, com uma atriz da Globo. Pensei que todas fossem iguais e tratei de nunca mais ler outra. Só hoje descobri o que perdi. Valeu! Abraço!

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    1. As fotonovelas brasileiras eram muito fracas, Carla, na verdade li poucas, sempre com atores da Globo e cantores considerados galãs da época. A produção italiana era muito farta e tinha mesmo tramas que prendiam pra valer! Sempre foi considerado leitura pra mulherzinha, pois o ponto forte sempre foi o romantismo mesmo em narrativas de suspense, mas eu via a coisa também pelo ponto de vista artístico, as fotos tinham excelente qualidade de luz e sombra!

      Obrigado pela visita e comentário. Abração!

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  5. Realmente, nós temos muito em comum. Cheguei a colecionar Jacques Douglas, a trama que mais me marcou envolvia extraterrestres, ele tinha que proteger uma vidente loira lindíssima de cabelo curtinho que era capaz de ler as mentes das pessoas possuídas pelos ETs, cuja aparência original eram pedaços de algodão flutuantes que entravam pelos ouvidos de quem dormia. Claro que no fim o detetive galã traçava a loira, e eu sempre ficava imaginando para onde iam as mulheres que ele pegava, já que cada história era coprotagonizada por uma diferente. Apenas uma vez uma delas apareceu duas vezes, apenas para ser morta na segunda trama. Algumas das que apareciam apenas uma vez também morriam no fim. Havia também fotonovelas de época e de guerra, estrangeiras e muitíssimo bem feitas.
    E já naquela época a nossa produção, comparada à estrangeira perdia feio em todos os aspectos... algumas coisas realmente nunca mudam!
    Excelente e nostálgico texto. Viajei aqui.

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    1. Pra você ver, uma pessoa com sua cultura lendo fotonovelas (claro, hoje não mais, parece que elas não existem em tempos atuais), por isso nunca entendi o preconceito em cima dessa forma de literatura, os quadrinhos estão, creio eu, apenas alguns degraus acima. Acho que para ser levado a sério, não pode haver imagens. Sob esse raciocínio, deveriam rever o cinema - que é tão alardeado - que não passa de fotos movidos em sequência. Enfim....
      Olhando para trás, foram outros tempos, para mim, não melhores que os de hoje, mas diferentes, com mais fantasia, talvez. Mas o medo naquela época é o mesmo atual, um pouco mais pesado, eu diria.
      Obrigado por seu comentário.

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  6. A década de 70 e meio vaga para mim, só tomei consciência e tenho lembranças mais permanentes das coisas de 77 ou 78 para frente, quando já estava na casa dos 5 anos. Naqueles dias eu era fascinado por Kalkitos e Transfer, mesmo antes de saber ler e escrever (até porque não precisava). Aquilo era uma espécie de brincadeira com caneta e papel, eu tive incontáveis. A partir dos 80 eu já me divertia com as paródias da MAD e com os desenhos meio horripilantes do Don Martin. Eu lembro vagamente de algumas revistas de fotonovelas guardadas em minha casa, mas eram antigas, acredito que do começo dos 70 ou antes, o que realmente era consumido aos quilos por minha mãe e vó era as Julias, Sabrinas e semelhantes, havia até um escambo entre as mulheres da rua e arredores, lembro que as bancas tinham pilhas desses livrinhos, novos e usados. Fotonovela mesmo que me lembre com mais precisão só as pornô que na casa do meu vizinho tinha aos montes, eu com meu colega (quase irmão na infância pois crescemos juntos) pegávamos escondido para olhar pq sabíamos que levaríamos uma surra do pai dele se fossemos descobertos, sim, naqueles dias meu vizinho era quase da família tb e poderia sem problema algum me passar um corretivo. Brincadeira besta de criança pq eu ainda nem me ligava nessas coisas. Menos nobre que as fotonovelas tradicionais mas eu aposto que deviam ser tão ou mais consumidas rsrsrs. Assim como aqueles livrinhos de piadas sujas com ilustrações, tão comuns até os anos 80 e que depois desapareceram.

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    1. Sim, eu acredito que o apogeu das fotonovelas no Brasil tenha sido mesmo a década de 70, quem era muito novo naquele período não poderia mesmo desfrutar desse prazer, sim, era um prazer, como podem atestar os comentários acima.
      Júlia e Sabrina eu nunca li, mas estou ciente da importância delas para o público feminino, minha esposa diz que lia muito na adolescência.
      Sabe, seu texto, abre meus olhos para dar continuidade a este blog, sempre penso em fechá-lo, não tenho mais tanto o que dizer como já foi no passado e as visitas tem sido muito, muito escassas, mas você contou um pouco da sua história aqui e eu amei saber mais, ele serve para isso, essa troca de ideias, algo que talvez sobreviva um pouco mais que nós nessa terra. Então, se tiver uma única pessoa acessando e lendo, eu continuarei a escrever para ela, ainda que não com tanta frequência.
      Obrigado e grande abraço!

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