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terça-feira, 16 de agosto de 2011

ALMEIDA JÚNIOR.



Pela minha análise, o Brasil não teve pintores clássicos com as mesmas dimensões de um Davi, ou Ingres, ou Delacroix, ou ainda Degas. Não a ponto de influenciar artistas do velho continente (bom, até aí nem os americanos, pelo que sei).  Tivemos sem sombra de dúvida grandes acadêmicos, como Victor Meirelles ( "A Primeira Missa No Brasil", "A Batalha Dos Guararapes" ) e Pedro Américo ( "O Grito Do Ipiranga", "Tiradentes Esquartejado", "Batalha Do Avaí" ) com suas obras monumentais fortemente calcadas nos temas históricos (algo extremamente comum na Europa do Século XIX).  
Neste ponto, merece destaque o magistral Almeida Júnior, aquele que é considerado o mais brasileiro entre os pintores brasileiros.  Se vocês ainda não o conhecem, recomendo dar uma pesquisada no Google, até porque não vou falar sobre a vida dele, tampouco analisar sua obra, quero sim, destacar a importância que sua pintura teve em momentos distintos da minha vida.
A primeira vez que pus os olhos num quadro deste grande mestre, foi no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro em fins de 70. Tratava-se de "O Derrubador Brasileiro", um mestiço (em tamanho natural) de índio com um machado na mão descansando do seu ofício fumando seu cigarrinho de palha. O impacto visual foi poderoso, e ali mesmo foi criada uma forte empatia. Sim, porque muitas vezes gostamos de uma obra mas não nos identificamos com ela, pelo menos não a princípio.
Depois disto tentei saber mais sobre o artista, sem muito sucesso, lembrem-se, não havia internet naqueles dias.


Almeida Júnior, diferente de seus contemporâneos, retratou os homens comuns e a vida simples do campo sem maquiagens (caipiras, pescadores, caçadores, moças lendo cartas com lágimas nos olhos, meninos levando recados e por aí vai) e isto o destacou de seus pares.


Fui reencontra-lo na Pinacoteca do Estado em São Paulo no início dos anos 90. Aquelas tardes cinzentas, frias e tristes foram minoradas ante o aconchego que o museu me proporcionava. Vale ressaltar que naquela época a Pinacoteca ficava aberta diariamente e a entrada era franca, e, melhor ainda, não havia quase ninguém por lá, o acervo do século XIX ficava permanentemente exposto. No meio de tantas obras magistrais, Almeida Júnior se sobressaía. Ali consta o maior volume de seus trabalhos, se não estou enganado.
Talvez seu quadro mais famoso seja "O Caipira Picando Fumo" (obra que possui duas versões), e vão por mim,   tenho um livro sobre ele e nada substitui a contemplação ao vivo. É fantástico!


Quando estive em Sampa no início deste ano, me propus matar as saudades daquelas tardes geladas e tristes observando as pinturas deste grande pintor, mas o corre-corre não permitiu. Mas você que está por aí, não perca tempo, chegue até lá, passe alguns momentos diante destas riquezas, transporte-se para um tempo que definitivamente ficou para trás. Eu te invejo!

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