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quarta-feira, 13 de março de 2013

ROTINA

Minha vida tem se resumido à prancheta e ocasionais idas ao mercado, padaria e consultórios médicos para checar como andam uns probleminhas de saúde que não dão sinais de melhora. Sabem, depois dos 40 a máquina começa ranger aqui e acolá, e já estou com 50, embora insista em dizer que minha cabeça ainda é a de um moleque. Isto torna o fardo do envelhecimento mais leve? Apesar de tudo ainda consigo malhar pesado, mas as vezes me pergunto o que quero provar com isto. A maioria vai dizer que o que importa é o espírito jovem e todas essas coisas bonitas que na hora da verdade não querem dizer porra nenhuma. Bom, acho que estou mais azedo hoje que de costume, cansado talvez, querendo alguma novidade boa, uma viajem de alguns meses pra algum lugar bonito, fresco, com alguma grana pra gastar. Rapaz, seria ótimo! Mas qual o quê, devo amargar o meu exílio até o dia que o Todo Poderoso quiser, eu de mim mesmo não posso fazer mais do que já tenho feito.
Ouço alguns colegas de profissão dizer de boca cheia que estão fartos e vão parar de prestar serviços pra sanguessugas, estão de saco cheio de trabalhar pra encher os bolsos de editores milionários, chefões que choram as pitangas quando o artista pede um aumento no valor das ilustrações, mas estão sempre trocando de carro, comprando impressoras importadas, viajando pra praia com a família, expandindo seus negócios. Se estes desenhadores tem outras opções, não me mostraram o caminho das pedras, se eles tem alternativas pra fugir dos exploradores, sorte deles pois eu não tenho.
Outro dia estava trocando ideias pelo Facebook com o Sebastião Seabra e ele falava do mercado editorial brasileiro com muita revolta. Ele está certo, mas o que eu posso fazer? Até hoje não consegui cobrar um valor de mercado pelos meus desenhos, sempre sou obrigado a fechar acordo com um preço um terço do que na realidade valem. Se não faço isso não consigo trabalho e não boto comida na mesa. Os dias não andam bons, embora o governo queira passar outra impressão.

Well, o teor da postagem mudou sem que eu percebesse, era pra eu falar sobre a velhice, de bandas boas que não existem mais como o Fleetwood Mac, em como a vocalista Stevie Nicks continua bonita apesar dos anos pesarem sobre seus ombros. Bem, está dito, mas não da forma que eu queria. Quem sabe um outro dia.
Pra fechar este texto melancólico, um desalentado rabisco com caneta bic.
So long.



6 comentários:

  1. Que dizer? Apenas que sei como é isso. Há dias em que é preciso desabafar.
    O desenho passa um pouco de tristeza. Mas também passa a alegria de um possível encontro...
    Força aí e um grande abraço,

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    1. O pior, Gilberto, é o desanimo que essas coisas todas provocam. Gosto deste blog, peguei gosto por escrever minhas impressões sobre as coisas ao meu redor, mas só faço atualizações porque me obrigo a faze-lo, com muito custo. Mas é assim, um dia lá em cima, outro, cá embaixo.

      Legal a leitura que cê fez do desenho. Eu mesmo nem tinha pensado nisto.

      Obrigado e um abraço.

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  2. Por isso não me otimizo para o sonho dos quadrinhos profissionais ou para o trabalho sério como ilustrador. Sei que estou longe de ter talento como o mestre Seabra ou você, então, me atenho aos fanzines, que ao menos me dão satisfação pessoal. Já a parte financeira, fico com meu trabalho chato e pedante, pois é o que sustenta sonhos vindouros. Seu texto não me desanima, apenas vejo como um bom exercício de "DESILUSIONISMO". Vendo as coisas como elas realmente são, me sinto mais seguro para continuar. Abraços e que linda arte... Incrível sua habilidade com as hachuras!
    *´¨)
    ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
    (¸.•´ (¸.•` ** Takamura
    Takamura do blog: Tatsu Estúdio

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    1. Caro Takamura, existem muitos diferentes tipos de aristas, bem como o modo como eles veem o mundo através da arte, como se relacionam com ela e como se realizam através dela. Van Gogh por exemplo foi vencido, esta que é a verdade. Poderia dizer que Rembrandt é um exemplo similar, pois passou seus últimos anos em grandes dificuldades depois de gozar de muito prestígio, fama e dinheiro, mas em contrapartida temos Rubens, Delacroix, exemplos de talentos vencedores. Noto que os quadrinistas brasucas de hoje, sabem muito bem vender, não só a sua arte, mas acima de tudo a si mesmos, talvez por isto tenham esta aura de onipotência e afabilidade fingida. Não sei se isto é uma tendencia, mas percebo que a maior parte deles está associada a escritores jovens de renome, diretores de cinema ou ligados a agências de peso, o que ajudaria a explicar tal sucesso. Lembrando que isto de nada serviria se não houvesse talento. Mas o quero dizer, é que a arte só por si, por mais cristalina que seja, não parece ter força para catapultar o artista, permitindo-lhe viver do seu ofício tão somente.
      São só impressões minhas, você, não deixe de produzir e correr atrás de seus sonhos.
      Obrigado por suas palavras.

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  3. Olá, Eduardo! É... o velho gosto amargo do preço e das ameaças de calote, relacionado ao trampo dos desenhistas... nos deixando com mais cabelos brancos.


    O que me revolta além disso tudo (como falei por meu irmão), são certas editoras publicarem gibis baseados em desenhos animados, que não passam de "fotonovelas" que qualquer mané faria com PHOTOSHOP e COREL DRAW. Se passar numa banca, periga encontrar uma dos THUNDERCATS que é prova cabal do que falei. Brincadeira!!
    Parecem não verem que, em nosso país, gente talentosa (você e NESTABLO, por exemplo) conseguiram ter seus trabalhos em editoras de grande porte, enquanto que outras persistem em lançarem de forma independente por meio de fanzines ou revistas impressas em gráficas e continuam ralando.

    FLEETWOOD MAC? Pô... faz tempo que não ouço. Boa pedida!

    Até...

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    1. Salve, Anderson.
      Sabe, rapaz, houve um tempo que os quadrinhos nacionais circulavam pelas bancas com ótimas vendas, e isto num tempo em que distribuição e divulgação eram mais difíceis. Porque a coisa desandou? O Seabra culpa os editores que só publicam Marvel e DC, se pautam pelo gosto deles, arruinando o mercado. Faz um certo sentido, afinal, é mais barato pagar o advance pelo material gringo do que pagar ao artista nacional o valor decente por página ou mesmo obra completa.
      Meu "Zé Gatão-Memento Mori" foi mal de vendas, teve má divulgação. Uns acreditam que o modelo adotado pelas editoras de uns anos pra cá é falido, imprimir mil cópias é pouco para distribuir e é muito para vender de mão em mão, por correio, expostos em livrarias que vendem mal. Seria mesmo? A discussão prossegue. O que eu acho é que se lê cada vez menos neste país, embora queiram que pensemos o contrário. Esta moçada com seus Ipads, Iphones e sei lá mais o quê, se limitam a transmitir aquilo que veem apenas, não pensam mais por si mesmos, perderam o senso crítico, como ovelhas, são comandadas pelo cães, são direcionadas de um lado para outro. Só citando Memento Mori de novo, é hq de ação, mas tem muito texto para ler, muitos personagens, algo de filosofia pessoal de vida, e não sei quantos estão interessados em tantas palavras, mesmo as obras mais recomendadas hoje em dia parecem se valer mais das imagens.
      Bem, vamos em frente.

      Quanto ao Fleetwood Mac, eu recomendo o Rumours e o Tusk. Os melhores.

      Obrigado e até a próxima.

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