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segunda-feira, 21 de julho de 2014

PALHAÇOS.


Chegando da rua a pouco, mortalmente cansado. Nada fora da rotina a qual estou acostumado, sem calor excessivo ou chuva torrencial, não teve trânsito caótico ou coletivos lotados, tudo fluiu na boa, apenas algumas filas estavam grandes, mas um bom livro nem deixou notar. Mesmo assim meu corpo ressentiu. Pede água e descanso. Sinto que há algo errado, mas nenhum exame detectou ainda.
Como sempre minhas obrigações lá fora me impedem de produzir e sinto o quanto isto faz falta, mas assim que acabar esta postagem vou dar continuidade ao Poe até a hora de dormir. Pelo menos pude rabiscar mais um pouco no meu sketch book na sala de espera, e rabisquei bastante pois demorei pra ser atendido.

Rola um Blondie no som e vamos ao que interessa:

O simpático Daniel Arcos, um amigo feicibuquiano de Brasília (e também artista) me convidou a participar de uma exposição na Web intitulada "Clowns On The World". Achei que o prazo ia até o fim de julho, mas quando me dei conta a data limite era no dia 10. Não quis desapontar o rapaz, então cometi este desenho que hoje vos mostro numa manhã. Intervalei para o almoço, escaneei e enviei. Para um trampo as pressas até que não ficou de todo mal. Para ver as outras artes da expo é só ir na página do Hotminds Comics no Facebook:
https://www.facebook.com/hotmindcomics/photos/a.656545377754441.1073741827.187548777987439/664616123614033/?type=1&theater

Palhaços são personagens muito interessantes de se trabalhar. Me sugerem algo trágico, ominoso até. Meu pensamento a respeito não advém de histórias macabras, como o IT do Stephen King, mas de um quadro que tivemos em casa, nos anos 70, em São Paulo. A referida obra retratava um pierrô com rosto triste tocando uma viola, na verdade ele chorava, seu rosto demonstrava mágoa e dor na alma. É uma lembrança forte que tenho. Mas o que marcou mesmo é que meu irmão Gil, quase um bebê na época, morria de medo daquele palhaço, a ponto de minha mãe ter que retira-lo e vira-lo para a parede. Depois foi vendido. Pela minha memória aquele quadro era muito bem pintado e tinha mesmo algo de assustador.

Acho que por hoje é só.


12 comentários:

  1. Sinistro! E excelente, Schloesser. Vai se destacar na exposição. Na década de 80, tive uma lojinha de presentes e, no meio de um lote de enfeites, recebi a estatueta de um pierrô muito bonito. Todo mundo gostava dele, menos eu. Foi um alívio vendê-lo. Sei lá por que, parecia que ele "vibrava mal". Não gosto de pierrôs até hoje. Mas o seu desenho é outra coisa, não vibra mal. É sinistramente ótimo. Abraço!

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    1. Opa, Carla, brigadão!

      Olha, tem um gibi escrito pelo Neal Gaiman e desenhado pelo John Bolton bastante legal cujo tema é o Pierrô (tenho ele aqui em casa, só está encaixotado em algum lugar) e no posfácio o Gaiman conta um pouco as origens do Pierrô e se me lembro bem, em algumas culturas ele é tido como um demônio. Então, não seria por acaso uma pessoa sensível como você sentir repulsa pela estatueta do dito cujo.

      Sobre meu desenho, eu quis uma arte que de alguma forma suscitasse no espectador uma história, ou melhor que criasse indagações na cabeça do espectador e elas formassem uma história. Tipo, quem são esses dois palhaços? Porque um deles chora segurando uma criança maligna? Ou seria um anão? Enfim dar algo para pensar. Seriam, ao invés de dois, apenas um palhaço esquizofrênico no estilo Clube da Luta? A palavra está com o espectador.

      Grande abraço.

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    2. Essa história da origem do Pierrô é novidade pra mim, Schloesser. Mais uma vez, valeu!

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    3. Sim, Carla, foi o velho Neal que falou. Eu só queria ter a hq em mãos para te dar uma informação mais precisa mas deve estar debaixo de toneladas de outros gibis, Sorry.
      :)

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  2. Nunca tive medo de palhaços, mesmo nunca tendo ido a um circo. Eu gostava do programa do Bozo (antigo) e achava engraçados aqueles que apareciam nos anúncios de tintas das lojas Tumelero.

    A história do quadro me lembro de um que via quando criança na casa dos meus avós maternos. Só que não era de um palhaço e sim de um menino moreno, que olhava pra gente com lágrimas escorrendo. Aquele nunca me apavorou, ao contrário de outro semelhante (que vi, já adolescente) de uma tia, que mostrava um outro menino, também chorando.
    Muito tempo depois, soube que essas pinturas "lendárias e malditas" eram de um pintor italiano chamado Bruno Amadio (ou Giovanni Bragolin). Pode-se vê-las na pesquisa de imagens. Conhece?

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    1. Ya, Anderson, morando aqui no Nordeste a mais de 10 anos conheci o simpático Palhaço Chocolate (não pessoalmente, é claro), que faz a alegria da gurizada.

      Quanto aos quadros de crianças chorando já ouvi muitas histórias no passado. Pelo que soube o Giovanni Bragolin nunca conseguiu vender um quadro até o dia em que fez um pacto com o chifrudo. Passou a pintar crianças sofrendo e vendeu muito, mas seriam obras amaldiçoadas.
      Um dia de manhã de sol, eu e meu irmão André caminhávamos próximo a Rodoviária de Brasília, entre o Conjunto Nacional e o Conic, e vimos várias reproduções de quadros sendo vendidos. Um deles era o do famoso menino chorando e ficamos a observa-lo afim de descobrir alguma bizarrice escondida. Ao colocar a figura de ponta cabeça, notamos que o casaco que envolvia o guri se assemelhava a um peixe monstruoso, como que a engoli-lo. Mesmo achando que era uma coincidência, sentimos um frio na espinha. Muito foda isso.

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  3. Existem quadros que marcam a vida da gente. Ficou muito bom o seu trabalho, parabéns.
    Cadinho RoCo

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    1. Mucho obrigado, Cadinho. Tanks mesmo.

      O único quadro que me marcou a vida (de forma bem negativa, eu diria) foi o do Tiradentes Esquartejado, do Pedro Américo. Fiz até uma postagem sobre o assunto com o título "Uma Imagem Marcante". Evito aquilo o quanto posso.

      Abração.

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  4. Peixe monstruoso? Que bizarro!

    Esqueci de dizer que vi só pela capa a HQ (de Neil Gaiman e John Bolton) que mencionou... A Paixão do Arlequim. Deve ter saído no país na mesma época que o Menz Insana, de Christopher Fowler e também com arte de Bolton.

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    1. Isso mesmo, Anderson, A Paixão De Arlequim, bem lembrado. Faz tanto tempo, e a minha está guardada em alguma caixa que nem me lembro mais direito. Agora o Menz Insana eu já ouvi falar alguma coisa a respeito mas não lembro de ter visto nada. É bom?

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  5. Não sei dizer, porque só folheei e a arte do Menz Insana chamou atenção.
    Ouvindo Blondie? Boa pedida!

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    1. Sim, Blondie - The Hunter, ótimo! Tenho também um The Best Of Blondie, muito bom.

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