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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

POE E MINHAS DIFICULDADES



 Só sentei na prancheta hoje para averiguar minhas mensagens, tentei trabalhar mas fui interrompido a todo instante, telefone que não parou, a esposa me pedindo favores e tantas pequenas coisas que não me deixaram com cabeça para pegar no lápis. Bem, se escanear imagens a serem enviadas para potenciais projetos pode ser chamado de trabalho, então o dia não foi de perda total.


 Todos sabem que uso meus escritos e quadrinhos para desabafar e o universo antropomorfo onde se passam as aventuras de Zé Gatão é terreno fértil para meus delírios, é onde meus traços underground se casam com a fantasia para comunicar que vejo o mundo como um lugar de constante tensão, onde não há lugar seguro. Seja nos centros urbanos, como em CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO e PINTURA DE GUERRA, no campos e florestas como em MEMENTO MORI, nos desertos ou mares como relatados nos contos SECA CRUEL e CLOACA DOS MARES do Luca Fiuza. O aparato tecnológico é de primeira, com carros aéreos e todas essas coisas de futuro retrô que tanto me fascinam e no entanto as coisas estão constantemente emperradas, como em nosso próprio mundo. Como exemplo eu citaria o Correio Brasileiro; sou testemunha, nos fins dos anos 70 eu mandava cartas para uma namorada num dia e no máximo dois a correspondência chegava às mãos dela. Hoje leva de uma semana a dez dias (ou mais) para uma encomenda chegar ao seu destino - quando chega!
Quando comecei a prestar serviço para a editora que atualmente paga minhas contas em 2010, eu entregava as artes, assinava o contrato em seguida e meu pagamento estava lá, na minha conta, no dia prometido. Hoje não, as mudanças operadas no setor financeiro, sei lá porque, atrasa tudo. A vinte dias que espero o pagamento pelo último livro. Tudo subiu de preço, mas eles não aumentam um centavo no valor das artes. Claro que não estou parado, existem mais projetos de que posso dar conta, mas nenhum com remuneração imediata, é tudo tentativa para ver o que vai dar no futuro. Prossigo, assim como a maioria, dando murros em pontas de pregos, e isto me trás ao tema real da postagem de hoje: a biografia do Poe. Eu poderia dizer que ela está bem adiantada, mas ainda falta um bocado de páginas para a conclusão. Recentemente uma leve pressão foi feita pelo roteirista da obra, um editor do Rio de Janeiro, amigo dele, um rapaz muito sério e educado, entrou em contato comigo. Parece que há uma editora nova interessada neste trabalho e o Rubens Lucchetti (roteirista) quer de mim um prazo específico para saber se podem fechar negócio. Prazo que não posso dar, afinal, só pego nesta istória nos meus horários vagos.
Sabem, não tiro a razão do Lucchetti ou dos outros interessados no final desta novela, afinal ela se arrasta por anos, já, mas como vocês estão cansados de ler aqui, ninguém me paga nada para dar continuidade, não estou mais como a quinze anos atrás, com energia e tempo disponível para fazer arte sem saber se isto me renderia alguma grana, hoje tenho família para cuidar. Até agora NINGUÉM, nenhuma das tais editoras interessadas se dispôs a por a mão no bolso para me dar um bom adiantamento para que eu possa me dedicar exclusivamente ao projeto. E ainda assim faço das tripas coração para manter o padrão artístico que se tornou o chamariz desta obra.


Bem, foi um dia cansativo e eu perdi o gás para continuar escrevendo, só posso dizer que a bio do Edgar segue sendo criada no meu ritmo, é o máximo que posso fazer, e rogar ao Todo Poderoso para nós, artista e roteirista, estarmos vivos para ver o livro publicado. 


 Um bom fim de semana a todos.





8 comentários:

  1. Saudações, caro amigo. Preciso apresentar um pequeno seminário sobre o livro Quincas Borba e não pude deixar de notar que tu fizeste ilustrações excelentes desde. Te importarias se eu as incluí-se na apresentação de slides? Incluirei teu nome nas referências com prazer, só não garanto que saberei pronunciar o sobrenome caso seja perguntado rs.

    Abraço

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    1. Pode incluir as imagens na sua apresentação, meu caro, sem problemas.
      Abraços e sucesso no seminário.

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  2. Esse trabalho, quando publicado, será impactante, Eduardo. As artes estão lindas! Uma pena que não haja investimentos por parte de editoras e editor para esse seu trabalho. Será que não há mesmo dinheiro ou será falta de visão? Fica quase impossível trabalhar assim, quando se têm que matar leões todos os dias.
    Espero que um dia as coisas mudem para melhor.
    Ótima semana, grande abraço!

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    1. E insisto, Gilberto, em afirmar que estou muito cansado, não exatamente de produzir hqs, algo que sempre afirmo ser uma forma de purgar meus males, mas de tudo o que circunvizinha, sobreviver de um meio que não te oferece a menor segurança. E não é apenas quadrinhos, mas o mercado editorial de forma geral é muito inconsistente. Fora que tem picareta demais nesse negócio. Mas não dá pra recuar. Só resta caminhar em frente. O Poe terá que seguir assim, rascunhos numa semana, finalização de página na outra e aos poucos ele vai ficando pronto.

      Agradeço demais suas palavras.
      Forte abraço.

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  3. Picaretas e tratantes, existem. Como certas criaturas que veem nosso trabalho (portfolio, fanzines, livros), pedem cartão de visitas e ficam de um dia, ligar ou mandar e-mails. E quando a encomenda é feita, querem choramingar ou não respondem direito. Ou então, não pedem mais nada... como tem acontecido comigo, ultimamente. Um saco, isso!

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    1. Isso tudo que você falou e muito mais. Estou lendo um livro (Eisner/Miller) que pretendo comentar aqui oportunamente, que mostra que muitos problemas que enfrentamos nessa área não existe só aqui. Onde o mercado é forte e demonstra ser mais promissor a iniquidade parece ser proporcional. Mas a gente tá aqui pra peitar isso de frente, é ou não é?

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  4. Oi, Schloesser! Escanear imagens é trabalho sim, embora não seja criativo. Vou torcer pra editora do Poe descolar um adiantamento pra você. As ilustrações estão incríveis. Parabéns!

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    1. Obrigado pelas palavras e torcida, Carla, um adiantamento viria mesmo a calhar, mas acho pouco provável.

      Grande abraço.

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