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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

NUMA E A NINFA, CCXP E A NOVA (JÁ ENVELHECENDO) GERAÇÃO.

Pois é, como tudo que é bom dura pouco, acabou ontem a Comic Con Experience. Imagino que tenha sido bem legal. Na verdade, acho que eu teria gostado de ir, não para gastar dinheiro com o que estava sendo comercializado lá, acho muito fera aquelas estatuetas, mas é um luxo que não posso me dar e nem tenho fissura pela coisa. Quadrinhos? Bem, salvo o material independente que os novos autores tem publicado, pouco me interesso pelas novidades. Adquirir originais de artistas? Não me apetece. Olhar de perto astros de série de tv? Tô fora. Ver utensílios usados em filmes que marcaram época? Sim , isto poderia ser maneiro, encaro como olhar objetos em um museu, e eu gosto de museus. Assistir filmes e trailers em primeira mão? Acho que não vale horas numa fila para isso, não é mais pra mim. Palestra? Ah, na real, não tenho mais saco! É bem sabido que os bacanas que vão aos eventos de cultura pop tão lá para vender seus peixes, são inúmeros livros, filmes, séries de tv, games, toys, graphic novels e tutti quanti. Tá muito certo, é um negócio, tem oferta e procura, eu vendo um produto, você compra. Se fica satisfeito volta para comprar mais. Assim funciona o mundo onde se progride, gera renda, emprego e se tem liberdade de escolha.

Porque eu teria gostado de ir? Não sei bem, gosto de bienais e também creio que aquela movimentação toda seria uma boa forma de observar in loco o mundo atual. Nerds de todas as formas, sexos e tamanhos, vestidos como seus personagens preferidos ou não indo adorar seus deuses levando suas oferendas. Na verdade não é um privilégio do tempo presente, sempre foi assim, mas a turma de hoje tem algo de peculiar.

Teria sido muito bacana estar ali com meus três irmãos, vislumbrar tudo e todos, tecer nossos comentários ácidos e depois ir na praça de alimentação encher a pança. Mas esta é mais uma crise de nostalgia, afinal, não somos mais os mesmos, não estamos mais solteiros sem as responsabilidades de chefes de família. Estamos sempre unidos em espírito mas afastados de corpo a muitos anos, infelizmente.

Este fim de semana, enquanto trabalhava, algumas vezes, em vez de ouvir música, deixei rolar ao vivo a CCXP no canal do site Omelete (na verdade o responsável por trazer este festival para o país) e acompanhei algumas matérias e entrevistas e pude notar algo interessante que até então não tinha me tocado de forma clara: a nova geração internet. Bem, nova em termos pois a coisa já vem de algum tempo, mas sentaram na poltrona do Omelete um sem número de pessoas que eu nunca tinha ouvido falar, mas que são bem famosas em canais do You Tube e sei lá mais o quê. Ali parece que se tornam caciques destas novas tribos. Noto também que estes "famosos" ainda precisam do aval das emissoras de tv para "acontecerem" de fato. Digo isto porque reparei que alguns programas dominicais exibem vídeos muito assistidos na rede e os mais "interessantes" dão suas caras na tela da televisão aberta, e muitos são transformandos em novas estrelas, todas bem fugazes, mas ainda assim, estrelas.
Voltando ao novojovemnerd, todos tem uma forma semelhante de se expressar, são irônicos, sexualizados e muito desbocados, bem informados no que se refere ao mundo que os circunvizinham, a maioria versado em games, séries e livros onde os protagonistas são jovens que transformam seu mundo, como Harry Potter (que até já envelheceu na memória deles, imagino) e a menina do Jogos Vorazes. O que temos mais? Percy Jackson, Maze Runner e por aí vai.
Esta safra de heróis novatos com seus abdominais definidos diferem muito daqueles durões de meia idade como John Wayne, Charles Bronson, Clint Eastwood ou mesmo Schwarzenegger. Estes eram tipos solitários lutando por sua sobrevivência ou tentando proteger suas famílias, os de hoje combatem liderando grupos em nome de ideologias.
No meio disso tudo me sinto como um animal extinto.

A CCXP também confirmou algo que eu já supunha, as HQs emprestaram seu nome (Comic) para um festival, mas pouca coisa é falada a respeito delas. Com certeza o Pipoca e Naquim vai focar no tema, pois os caras são apaixonados por gibis e falam como fãs, mas a maior parte trata da coisa como negócio, se rende, a gente fala um pouco, senão esqueça. Os palestrantes da arte sequencial foram os mesmos de sempre. Normal. Os caras chamam público.
Um amigo meu achou que os preços extorsivos para a entrada foram uma forma de espantar o populacho. Não sei, pode ser, mas um evento assim custa caro, eles tem que obter retorno. Os patrocinadores se não me engano foram canais pagos de televisão e empresas privadas, não teve dedo do governo, então....

Alguém poderia perguntar, "se você tivesse sido convidado para o evento esse texto teria esse tom mordaz?" Bem, se tivesse sido convidado, lá, eu atuaria como um profissional e eu procuro fazer bem o meu trabalho, mas tento ser imparcial em minhas elocubrações sobre a vida.

Bom, o certo é que foi coroado de sucesso e já anunciaram um novo para o final de 2015. Vai ter também a bienal de quadrinhos de BH e com certeza outras vitrines. Quantos de nós estarão presentes para ver?

A arte de hoje é mais uma cena de Numa e a Ninfa.


8 comentários:

  1. Bela análise do momento atual dos quadrinhos e mundo nerd, Eduardo! É claro que alguma coisa está mudando neste cenário pop...
    Compartilho de várias das suas sensações e opiniões quanto ao evento. Eu não fui. Me segurei como pude e até evitei de ver muitos detalhes na internet, salvo o que era publicado por amigos no "face". Talvez no próximo não iremos, certo?
    Mudando de assunto, hoje fui ao centro e vi a expo de caricatura do Silvio Santos, da qual você participa. Muito bacana! Tirei foto de tudo, embora não tenha certeza se saíram boas. Havia o reflexo do vidro (ou acrílico,não sei.) e em alguns desenhos estava um pouco escuro, precisando acionar o flash. Resultado, muito reflexo. Depois posto algumas fotos. O interessante é notar que enquanto eu tirava as fotos, ninguém parava para olhar a exposição. Todos correndo, sem tempo para olhar arte. Pena...
    Ótima semana.
    Grande abraço!

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    1. Há um tom de amargor no meu texto como sempre, Gilberto, não posso negar, mas é exatamente por não me sentir incluido no sistema, nem nesse, nem em qualquer outro, não sei exatamente porque sou assim, mas é como é. Quem sabe num futuro a gente não vai junto andar por lá e observar os cosplys, não é?

      Quanto à expo sobre o Sílvio, é assim mesmo, é como eu disse, nem os museus são mais os mesmos, que dirá um local onde tantos passam apressados, mas um ou outro, como você para para dar uma olhadinha e a soma de todos dá, quem sabe, um número razoável.

      Obrigado, meu amigo e um abração.

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    2. Eita! Na resposta acima escrevi "cosplay" errado!

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  2. Não tenho mais idade pra CCXP, Schloesser. Prefiro acompanhar pela rede. Parabéns pelo desenho! Abraço!

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    1. Na verdade, Carla, eu creio que é mais uma questão de estado de espírito do que de idade. Mas sabe, na minha atual situação eu prefiro mesmo ficar quietinho no meu canto.

      Abração e obrigado pela visita e comentário.

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  3. Oi, Eduardo!
    Como você sabe, eu havia decidido não ir até a tal convenção, mas, de última hora, um amigo meu, decidido a me animar, insistiu tanto que acabei indo para participar de um bate-papo entre ele e eu sobre quadrinhos. Ele, inconformado com a pouca importância que destinaram às HQs diante de tantas atrações de videogames, cinema e TV, achou que seria legal criar algo no estande da Devir para ir contra a correnteza... Fui até lá no Domingo. Foi um bate-papo legal. Conversar com os amigos é sempre uma coisa boa, mas quer saber? Fiquei triste em ver que tudo no evento foi extremamente superficial... Sabe aquela velha história do famoso "bolo de noiva"? Muita cobertura e creme por fora e pouco recheio... Foi mais ou menos isso. Em termos profissionais, o evento foi muito bem feito. Nível das comic cons americanas mesmo! Mas o problema é o público, sabe? E não acho que o que pega é a nossa idade, não. Claro, nossos gostos não se adequam aos novos tempos e coisa e tal, mas a questão é ver essa moçada se julgando experts em HQs só porque compram tudo da Panini, ou viram todos os episódios de Arrow, ou acham que o Batman do Nolan é a melhor coisa já criada... Também a presença dos cosplayers foi um tanto irritante. Você não conseguia caminhar no evento sem ter de desviar de um amontoado de gente querendo tirar fotos com uma menina bonitinha (semi-)vestida de Supergirl ou de Poderosa. Nada contra o pessoal que curte se fantasiar, mas muitos deles se julgam as celebridades do momento, só porque estão com uma fantasia legal... Não é por aí, sabe?
    Depois do bate-papo, fui caminhar um pouco, mas comecei a ficar irritado. Aquele oba-oba não é pra mim, sabe? Daí, fui até o setor em que ficam os artistas e me senti em casa. Conheci algumas pessoas muito talentosas e revi alguns amigos. Tem muita gente boa por aí que precisa de atenção. Daí eu penso nesse programas de "crowdfunding". Se o financiamento coletivo deixasse de ser apenas uma ação entre amigos e realmente servisse para ajudar novos talentos a terem suas obras serem finalmente publicadas, seria o Céu na Terra! Mas isso é assunto para outra hora, né? Compartilho do seu sentimento sobre a convenção, meu amigo. As horas que passei lá me fizeram falta, sabe? Gosto de ficar no meu canto, quieto, trabalhando e criando. Grande abraço!!!

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    1. É, meu amigo, o bate papo com seu chapa lá no espaço da Devir deve ter sido mesmo muito legal. Talvez tenha faltado isso, uma chamada para um bate papo sobre quadrinhos com quem entende do assunto. Mas na boa, teria mesmo muitos interessados? Há quem queira ouvir papo de saudosista? Tem muito poser neste meio, gente que se acha o entendido no assunto porque sabe tudo sobre a última fase do Homem-Aranha ou do Wolverine, mas alguém ali já terá lido Ken Parker? Tintin? Dreadstar? Algumas das pérolas do underground europeu? Duvido muito. Como disse no texto, enquanto trabalhava este fim de semana, deixei meu note ligado e acompanhei o programa do Omelete ao vivo na Comic Con, rapaz, perderam tempo com muita bobagem, mas aí aparecia uma matéria com quadrinhos, entrevistavam um autor de hq, aí ficava mais interessante, mas eram sempre os mesmos, as estrelas da hora, caras que atualmente estão fazendo sucesso com personagens do Maurício de Souza. Sei que estas pessoas chamam público mas seria legal se pelo menos uma vez remassem contra a maré e dessem espaço a uns caras que não estão escondidos, mas não tem a chance de aparecer, como o Luciano Félix, Nestablo Ramos e o Allan Alex (para citar só três), e tem os veteranos como o Shima, o Zalla, Seabra, Arthur Garcia, Rodval Matias entre outros, pô, os caras estão vivos e abasteceram as bancas dos anos 60, 70 e 80! Mas, como já observei, a moçada de hoje talvez exista numa outra frequência, pense de uma maneira mais frenética, que espelhe suas vidas, um tempo que não acompanhamos, senão como observadores. No meu caso isto tudo poderia servir de matéria prima para um conto ou hq, mas ando sem energias para criações próprias. Let roll.

      Quanto ao sistema de financiamento coletivo é a saida para os novos talentos, mas já disse isso, o material não circula, não faz volume, não cria mercado. Será uma moda passageira? Mesmo entre amigos a coisa rola mesmo? Veja, o Nestablo está com um material, o divertido Zona Zen no Kickante, até agora ele, que é um artista com mais de 1.500 amigos no Facebook, não chegou nem na metade do valor estipulado. Penso que se desses 1.500, pelo menos 100 contribuíssem com o valor mínimo, que é de 12 reais, ele atingiria a meta que é de 12 mil reais para a publicação do álbum. Pô com 12 reais hoje em dia você não vai mais ao cinema assistir um dos tantos filmes ruins que são sistematicamente exibidos!
      Bem, me delongo e como você falou, é assunto que rende e é melhor falar dele outra hora.
      Queria ter participado do seu bate papo, não é todo dia que temos o privilégio de ouvir o editor responsável pelos quadrinhos mais longevos publicados em terra brasilis, e, convenhamos, não é qualquer um com colhões para publicar Zé Gatão e você teve a ousadia.

      Obrigado por sua visita e comentário. Pra mim é uma honra.
      Big abraço.

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    2. Rapaz, reli o texto e errei ao digitar 100, eu quis dizer: se pelo menos os 1000 amigos entre os mais de 1500 que o Nestablo tem no face, ele conseguiria publicar o Zona Zen totalmente colorido. É isso aí.

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