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domingo, 24 de janeiro de 2016

ZÉ GATÃO - "DIA DOS MORTOS" (Um conto de Eduardo Schloesser)


Cat olhava tristemente pela janela, observando com uma imensa inquietude na alma o céu nublado de nuvens cinzentas, pesadas como chumbo, mortas, ameaçadoras, que pareciam a qualquer momento desmoronar sobre as casas daquela cidadezinha; habitações que brotavam insistentemente naquele deserto, lado a lado com os cactos. Um calafrio lhe percorreu a espinha arrepiando sua pele alva, seus olhos de um azul profundo e angustiado observavam as folhas secas que bailavam grotescamente fustigadas pelo vento lutuoso que soprava com fúria. Ninguém nas ruas. Não queria estar ali. Maldita hora em que ela e Zé Gatão vieram parar naquele lugar! Ela se sentia culpada por achar que o felino era o responsável. Nunca, não ele; pelo contrário, seu companheiro de viagem era a gentileza e paciência em pessoa. Não fosse pelo mestiço certamente ela estaria presa num mundo de trevas, literalmente, até o fim de seus dias. Foram as circunstâncias, o azar, o maldito azar, ele sim, o responsável. Não fosse uma peça da motocicleta ter se desgastado não teriam vindo acabar naquela povoação lúgubre de calangos medrosos, obtusos e mustelídeos fedidos. Um corisco rasgou o céu baixo, seguiu-se a voz rouca e poderosa do trovão e contudo... a chuva não caía!
"- Zé, saia do chuveiro, é perigoso tomar banho com tantos relâmpagos lá fora!"

Alheio ao aviso, Zé Gatão sentia as gotas mornas beijarem sua pele cinza como bálsamo para seu corpo cansado. Duas semanas na estrada sobre o selim de uma velha motocicleta, levando de volta para Andros, a megalópole, a filha de uma grande amiga de sua mãe. Não que não apreciasse a companhia de Cat, mas ele sabia que ambos pertenciam a mundos totalmente diferentes, e ele, independente de quem fosse, preferia estar sozinho.

"- Disse alguma coisa, Catarina?"
A jovem observou o gato sair do banheiro prendendo uma toalha à cintura, sua imponente figura fazia aquele quartinho embolorado parecer menor.
"- É o segundo banho que você toma desde que chegamos hoje cedo!" Disse ela enfadada.
"- Algum problema com isso?"
"- Não...de forma alguma."
Ela voltou-se para a janela. O gato arrependeu-se da resposta que deu, mas não estava com ânimo para pisar em ovos. Pobre Cat, pensou ele, não se deu conta que a vida dela jamais seria a mesma de antes. Quando, em tempos passados, ela viajaria na garupa de uma moto? Ela era uma gata de raça angorá, alva como a neve, de uma família aristocrática, endinheirada. A mãe de Zé Gatão trabalhara na casa dela alguns anos e se tornou mais que uma babá, uma amiga da família. Ele, mestiço, nunca foi devidamente aceito naquele meio.  O pai dela, de uma arrogância sem par, matou-se com um tiro na cabeça ao se ver metido em um escândalo financeiro e ter todos os seus bens confiscados. Era a ruína da família, a jovem nunca aceitou esse fato, vivia na pindura, mas se comportava com a empáfia de sempre.
"- Me empresta sua tesourinha?" Pediu ele.
"- Claro, está dentro da minha bolsa."
O felino pegou o objeto e dirigiu-se de volta ao banheiro; diante de um pequeno espelho desgastado começou a aparar cuidadosamente as suíças.
Cat fechou as cortinas e deixou cair o penhoar rosa que a cobria revelando suas formas opulentas, largos quadris e seios generosos, estava bem acima de seu peso, não exatamente gorda, mas uma gata com características de matrona embora ainda fosse jovem. Sentou-se na cama, apanhou sua escova e começou a pentear os cabelos finos e alvos como a mais pura lã.
"- Gato, vem comigo ao cemitério?"
O mestiço apareceu na porta com expressão perplexa.
"- Cemitério?!?"
"- Sim, hoje é dia de finados, lembra? Fiz uma promessa de que se eu fosse curada dos olhos eu acenderia uma vela em memória do meu pai nesta data. Não quero falhar a este juramento."
"- Mas a esta hora?"
"- Ué, ainda não é nem duas da tarde!"
" - Mas está um tempo horrível lá fora! Sem contar que estou moído desta viagem que parece nunca ter fim!"
Ela fixou tristemente seu olhar cor de anil nos olhos amarelos dele.
"- Bem, não precisa me acompanhar, eu só..."
"- Não, eu vou com você, é claro, só não acho conveniente com uma tempestade prestes a desabar, fora que o cemitério deste lugar fica numa colina um tanto íngreme, pelo que pude notar quando chegamos, mas se faz tanta questão..."
O rosto da felina se iluminou num sorriso de dentes alvos e perfeitos.
"- Zé Gatão, você não existe!"
"- É, não devo existir mesmo!" Voltou-se ao banheiro tentando disfarçar uma ereção que se insinuava sob a toalha à visão da nudez de sua amiga.

Duas e meia da tarde mas parecia início de noite tal era o véu espesso que escondia o céu vespertino, o vento soprava odiento e belicoso. O casal de gatos caminhava por um chão de mato seco, ambos calçavam tênis de cano alto e trajavam calças jeans, ele, uma velha jaqueta do mesmo tecido, ela, uma capa cor mostarda e um lenço vermelho protegendo a cabeça, uns óculos de grau forte protegiam seus olhos dos grãos de areia que beliscavam a pele como minúsculas e ferinas agulhas. Subiam a estradinha clivosa que dava acesso ao campo santo; o mestiço, absorto, a gata branca, arreliada, olhando em volta como se temesse algo que poderia brotar da terra e devorá-la. Caminhavam lado a lado em silencio, ela discretamente procurava se apoiar nele ao mesmo tempo que evitava pressioná-lo.
Chegaram por fim à pequena necrópole. Era um ambiente profundamente soturno, abandonado, algumas árvores desnudas e esquálidas se curvavam servilmente ao mato seco que crescia agarrando com sanha as lápides desgastadas e aos túmulos cotiados pelas frias golfadas de ar intérminas daquelas plagas.
"- Curioso - começou ela com voz quase inaudível - não há ninguém! Isto aqui deveria estar cheio, afinal é o dia dos mortos!"
"- As homenagens devem ter sido feitas pela manhã, acho, ninguém em sã consciência sairia de casa num tempo desses...."
"- Zé Gatão, você é um chato, sabia? Ninguém o obrigou a vir, cara!"
"- Hei, está sendo rude comigo porquê?"
Ela ia responder mas se calou ao sentir um corisco estalar o que pareceu ser um pouco acima de suas cabeças seguido por uma troada surda.
"- Tem uma capelinha ali atrás daquela árvores, vou lá!"
"- Eu te acompanho..."
"- Não, não precisa, volte para o hotel e vá dormir se quiser! Eu me viro sozinha!"

O gato não pode deixar de sentir mágoa com aquelas palavras ferinas, viu-a se afastar rápido, balançando o generoso traseiro com a cauda branca se movendo a demonstrar irritabilidade. Ela sumiu atrás de uma vegetação de tonalidade opaca, moribunda. Ele ficou ali imóvel como os altares carcomidos daquele lugar desprezível. Gotículas frias prenunciavam a tempestade prestes a cair. Seus pensamentos buscavam por momentos de alegria fugaz do passado, tentando suplantar as emoções nefandas que lhe comprimiam o peito no afã de vencer sua terrível síndrome de rejeição.

Súbito, um som abafado lhe chegou aos ouvidos, como um sufocado e hediondo sorriso maligno vindo de algum lugar entre uns túmulos mais adiante. Movido por sua incontrolável curiosidade felina, caminhou resoluto naquela direção.

Cat aspirou o forte odor de velas no interior da pequena capela constatando que de fato algumas homenagens aos mortos foram feitas algum tempo antes. A brisa gelada invadia o ambiente pelas frestas das janelinhas silvando morbidamente. Retirou do bolso da capa umas velas e um isqueiro, acendeu os pavios e depositou no altar, tinha as mãos trêmulas. Retirou do bolso traseiro uma carteira de documentos onde tinha uma foto de seus genitores. Sentou-se num banco poento, curvou-se e tentou proferir uma oração mas a lugubridade do lugar não permitia concentração. Pensou no pai morto, quis chorar como que para justificar sua presença ali mas não conseguiu. Tudo o que ela queria era estar longe, distante daquele lugar, daquela cidadezinha fantasmal, em um recanto claro, aprazível, aconchegante. Lembrou tudo o que passara nos últimos anos. A morte do pai, a perda dos privilégios, sua enfermidade nos olhos, a sentença do médico decretando que a menos que uma operação fosse feita em caráter de urgência, ela ficaria irremediavelmente cega. Sem recursos, ela se desesperou. A mãe recorreu ao filho da saudosa babá, o mestiço de raça selvagem. Para conseguir o dinheiro ele se meteu com um raposão, um cão marginal e roubaram a câmera de um repórter (pelo menos foi o que ouviu). O gato gastou todas as sua economias para levá-la de expresso até Ômega Um, uma das tantas megalópoles do norte, onde operaram seus nervos óticos. Sucesso. Recuperada e livre da cegueira restava voltar para casa, para sua mãe e só foi possível na garupa de uma velha moto que Zé Gatão arrumou emprestada com um felino preto de aspecto malandro, conhecido dele. As paradas eram breves, para um lanche ou um cochilo numa relva verde, observados pelas miríades de estrelas no céu negro. Ela nunca teve medo, sentia-se segura ao lado dele, até que o tempo mudou, uma peça se quebrou e eles tiveram que empurrar o veículo até aquela morbífica povoação habitada por lagartos, texugos e guaxinins caipiras. O estrondo de um trovão a sobressaltou e afastaram seus devaneios. Uma pesada chuva caiu com intensidade colérica. Pensou em Zé Gatão e encheu-se de ternura. Ele estava certo, devia desculpas a ele por ter sido ríspida e infantil. Tirou os óculos, coçou os olhos, ficou silente por uns segundos, aspirou o ar viciado com sofreguidão e expirou tentando tirar uma angústia opressora do peito. Recolocou os óculos, ajeitou o lenço na cabeça e envolveu o pescoço com o excedente. Levantou-se célere e encaminhou-se à porta.
Uma lufada de ar gelado esbofeteou-lhe o rosto, uma cascata de água caia inundando o chão de cascalho e folhas mortas. Onde estaria o Zé Gatão?

De repente, como que se materializando no meio do aguaceiro, uma figura negra, indistinta, lôbrega, caminhou vacilante em sua direção.
"- Xaninha, xaninha! O que uma gata tão elegante, perfumosa e delicada faz num lugar tão fúnebre em dia de chuva, trovões e relâmpagos?" A fala debochada e rascante da aparição embrulhou o estômago de Cat. Ela se petrificou e a voz se negava a sair. Ao chegar mais perto a gata pode divisar um corvo de baixa estatura, aspecto sacomão, capote negro, óculos escuros de aros redondos e cartola na cabeça.
"- Está com medo, xaninha? He he he. De mim?! Oh, não tenha, Corvus não lhe faria mal, Corvus é um humilde servo!"
A voz esganiçada e revoltante da ave agourenta eriçou os pelos da nuca da felina, entretanto ela não esboçou reação.
"- Venha, Corvus quer te mostrar uma coisa, algo que a fará ver a vida de modo diferente, he he he, não tema, não lhe farei mal."
A infausta criatura pegou-a pelo braço forçando sua resistência num aperto que não parecia possível num indivíduo daquele tamanho e conduziu-a por um corredor de covas tétricas. O mau tempo perdia a força e permitiu por instantes uma lufada de luz fantasmagórica vinda de uma abertura nas brumas. Chegaram a uma cripta de aspecto pestilento; dentro, um imenso caixão jazia aberto, um fedor sepulcral e blasfemo invadiu as narinas da gata. Sentiu mãos em garras agarrarem com rudeza a sua nuca forçando-a divisar o interior do ataúde.

"- Olhe bem, gatinha branca de olhos azuis, olhe bem o final de todo ser vivo, OLHE BEM!!! Hahahahah, uh, uh, hahahahah!"

Dentro do esquife jazia um casal de aspecto canino, mas de proporções tão grandes que Cat nunca vira algo parecido, estavam de tal forma decompostos que não dava pra afirmar com certeza o que era aquilo, pareciam costurados um ao outro; no que se assemelhava ser o macho, o crânio esfacelado deixava entrever o cérebro gelatinoso, podre, a bocarra de dentes pontiagudos aberta de tal forma que demonstrava ter sido quebrada nas mandíbulas, a fêmea também com a fronte esmigalhada tinha um buraco entre os seios como se o coração tivesse sido arrancado à fórceps.

Tudo isto Cat observou com indizível horror naqueles longos segundos. O fedor morfético. Movida por uma insana indignação a felina grunhiu agitando-se, conseguindo por fim se desvencilhar da agourenta ave e correr alucinada por entre as lápides, o som esganiçado da voz corvídea a invadir-lhe as orelhas e ferir-lhe o crânio.

"- Ha ha ha ha ha ha ah! Corra, gatinha, corra! Ahahahahah! Mas não poderá nunca fugir do seu destino! Uh,uh,uh, ah ah ah! NUNCA! Ahahahahahah....huahahuauauu...hahahahahaha!!!"


Como se toneladas de peso oprimissem seus ombros, como se a gravidade tivesse redobrado, Cat curvou-se e caiu ajoelhada ao chão barrento, o coração acelerado como se fosse rebentar dentro do peito, não tanto pela carreira mas pelo que acabara de passar nas mãos do corvo, a lembrança funérea do fedor dos cadáveres caninos comprimiram seu estômago de tal forma que o vômito veio súbito forçando passagem por sua garganta como um punhal em brasa. Passado uns segundos de agonia com espasmos abdominais, a gata sentiu uma ponta de alívio. A chuva voltou a cair com peso, fria, mórbida. Levantou-se sofregamente e tentou localizar a saída do cemitério.
Viu-se numa parte do lugar onde frondosas e centenárias árvores de aspecto macabro pareciam ter brotado do chão de forma abjeta exatamente por parecer destoar totalmente daquele ambiente e ainda assim ter tudo a ver com ele. Com esses pensamentos confusos procurou uma trilha entre as tumbas que não lhe permitisse cruzar de novo com o pássaro negro. Foi precisamente neste instante que um som frouxo, enfermiço, lhe alcançou as orelhas apesar do aguaceiro. Ela não conseguiu decifrar que barulho seria aquele mas por algum motivo lhe enregelou a alma. Ainda assim se sentiu atraída na direção do que aos poucos se assemelhou ser um ruido de alguma sucção mesclada a um gemido débil, como se sussurrassem profanamente um ao outro.

Cuidadosamente se aproximou de algo que se movimentava próximo a um altar semidestruído pelo tempo. Limpou as gotas de seus óculos e fixou a vista para entender o que era. Uma criatura negra, lânguida, curvava-se de forma ultrajante sobre um enorme corpo bovino. Parecia sugar pornograficamente o pescoço de sua vítima. Para Cat, pareceu que aquele indivíduo asqueroso e blasfemo trajava-se todo de negro, mas observou melhor e notou que o que pensou ser tecido era a na verdade a extensão de seu corpo e se estendia das costas ao braço numa asa diabólicamente repulsiva à vista. Um chapéu coco e longos cabelos desgrenhados não lhe permitiram divisar o rosto do ente maléfico. Petrificada pelo que testemunhava, a felina temeu que sua presença fosse percebida pelas pancadas surdas de seu coração. Quando reuniu forças para se fastar dali, a abjeta criatura ficou estática como se intuísse que estava sendo observada. Movida pelo pavor e pelo desespero, e tão somente por isto, Cat correu dali em uma direção qualquer por entre as lápides, era como se suas pernas tivessem vontade própria. Em meio a chuva ruidosa pensou ter ouvido um tênue farfalhar de asas acima de sua cabeça e isto duplicou a velocidade de seus membros inferiores, uma figura indistinta pela tempestade surgiu a uns metros à sua frente e ela chorou de felicidade ao reconhecer a silhueta de Zé Gatão.
"- Catarina, onde estava? Te procurei por quase todo este lugar!"
"- Me abrace, gato, me abrace!"
"- O que aconteceu?"
"- Vamos embora daqui, vamos agora, depressa, eu te conto pelo caminho!"
Envolvendo a companheira enquanto caminhavam à saída, o felino notou como ela tremia.
"- O que é isso Catarina? Medo ou frio?"
"- Ainda bem que você está aqui, ainda bem que não foi embora como eu sugeri..."
"- Claro que não ia abandoná-la neste lugar! Fui investigar algo estranho e quando voltei você não estava mais na capela. Cheguei a pensar que tivesse retornado ao hotel. Corri para lá. Certificado que você não voltara corri de volta para cá e..."
"- Ah, a saída, graças a Deus! Vamos, vamos embora daqui!"
"- Vai me dizer o que houve?"
"- Zé, você já teve contato com morcegos?"
"- Umas duas vezes. Não foram amistosos. Porquê?"

O casal de gatos entrou sem dizer palavra no quarto do hotel. Encharcados e com frio. Silentes começaram a se despir. Jogaram as roupas molhadas num canto. Cat se envolveu num cobertor e sentada na cama agarrou-se aos joelhos colocando a cabeça entre eles. Ficou assim imóvel ouvindo a tempestade. Seus pensamentos eram de puro horror. Um medo que a subjugava, tirava as suas forças e a impediam de rogar ao amigo mestiço que a abraçasse e nunca mais a largasse. As experiências vividas naquela tarde ecoariam por sua memória durante toda a sua vida, ela sabia. Ansiava por um sono de esquecimento que não viria.
Eram 16:30. Zé Gatão foi até janela. Parecia noite. As ruas continuavam desertas, as grossas gotas que caíam dos céus não pareciam lavar as paredes das casas de seus pecados, antes cuidavam de lembrar aos tijolos, que eram, não banhados, mas açoitados por ordem de seu mestre, o vento gélido.
O felino dirigiu-se ao chuveiro e deixou a água benfazeja cair sobre seu corpo esperando assim esquecer o relato da companheira sobre o que sofrera no cemitério. A pobre gata não tinha estrutura para desventuras desta natureza.
Sentiu a presença dela atrás de si, recebeu seu abraço, percebeu os grandes e macios seios se comprimirem em suas costas. Ficaram assim um tempo até que as delicadas mãos desceram ao púbis e seguraram seu membro teso. Virou-se e a beijou. O tempo pareceu parar. Num instante estavam deitados na cama. Cat sentia a montanha de carne cinza sobre seu corpo proporcionando não só prazer, mas uma paz que a subtraíam dos terrores das últimas horas. O pênis palpitante a invadiu gostosamente arrancando ronronados suaves de sua garganta. O suave cheiro do companheiro, o deleite sexual dando descargas em suas veias, Zé Gatão sobre ela como uma muralha, protegendo-a do mal que assobiava por entre as frestas da janela tentando impor sua presença. O clímax num instante chegou e ela se deixou desfalecer sentindo um afetuoso calor tomar conta de seu ser. Um pesado sono cingiu-a por completo.

Derepente ela acordou assustada com o som do gato levantando-se apressadamente da cama. O quarto às escuras. Ele se vestia.
"- Zé Gatão, o que houve?"
"- Acordei com passos na escada! Não há mais ninguém neste andar!"
"- Estou com medo, o que será?"
"- Saberemos logo!"

Uma presença se posicionou em frente a porta e deu duas vigorosas batidas.

"- Quem é?" Perguntou o gato farejando o cheiro de cão e tabaco.
"- É o Luke!" respondeu uma voz roufenha e entediada.
"- Não conheço nenhum Luke!"
"- Sou o delegado da cidade, e vocês felinos, a menos que tenham algo a temer da lei, poderiam abrira a porra da porta? É do interesse da Catarina!"
À menção de seu nome, um frio enregelante percorreu o corpo da gata alojando-se em seu estômago. Levantou-se trêmula.
Zé Gatão abriu a porta de forma decidida e deparou-se com um cão atarracado e de baixa estatura com ar envelhecido, de chapéu de aba larga e cigarro caseiro pendendo dos lábios. Não conseguiu identificar a qual raça pertencia, talvez a todas ou nenhuma.

"- Que deseja, delegado?"
"- A dona Catarina está?"
Cheia de temor a felina se aproximou trajando seu penhoar rosa.
"- Sou eu!"
"- Creio que isto lhe pertence." O cão da lei estendeu-lhe uma carteira de documentos.
"- Oh! Mas como...?
"- Não perdeu isto?"
"- E- eu...não sei..."
"- Farejo muito medo na senhora, tenho experiência com isto, mas não é um medo que envolve culpa, há algo que queira me dizer?"
"- Conte a ele o que viu no cemitério, Cat!" Ordenou Zé Gatão.
" - Bem, fomos hoje acender uma vela em memória de meu pai e devo ter esquecido a carteira na capela. Um corvo asqueroso me obrigou a contemplar um cadáver esquisito num caixão...."
" - Esquisito como?"
" - Ah, não sei, estavam em decomposição e..."
" - Corvus é um filho da puta - vociferou o delegado, dando uma profunda tragada em seu cigarro - é o papa defunto desta cidade, normalmente aquele doido não faz mal a ninguém. O fato é que não foi ele quem me trouxe seus documentos." Soltou a fumaça.
" - Quem foi então?"
" - Aí é que está, foi deixado na janela da delegacia agora a pouco. Raramente alguma coisa escapa ao meu faro e audição e quem veio deixar a carteira é silencioso como um defunto. Vi seus documentos nela. Como sei que não apareceram felinos nesta cidade hoje além de vocês vim direto para cá. Há algo mais que eu deva saber?"
" - Bem, logo após o incidente com o corvo eu fiquei perdida no cemitério e vi algo estranho."
" - Viu o quê?"
" - Não tenho muita certeza, chovia demais, mas pareceu..."
" - Pareceu o quê?" Indagou o cão com ar de irritação.
" - Pareceu um morcego chupando o pescoço de um bovino!"
Ao ouvir isso as feições duras do delegado se tornaram sombrias. Seus olhos ficaram minúsculos.
" - Tem certeza? Ele te viu?"
" - Não tenho certeza de nada, eu estava assustada demais para discernir qualquer coisa! Saí correndo do local."
" - E você lince, tem algo a dizer?"
" - Nada, só apareci depois."
" - Posso falar com você a sós?"
Sentindo a firmeza da voz do cachorro, Zé Gatão dirigiu-se a Cat.
" - Entre e feche a porta."
" - Mas...."
" - Por favor, obedeça!"
Contrariada a gata aquiesceu.


" - Muito bem, delegado do que se trata?"
O cão olhou-o profundamente nos olhos, deu uma última tragada em seu cigarro, soltou a fumaça, jogou a guimba no chão e pisou-a com sua bota enlameada.
" - Seguinte felino, tô a muito tempo nessa vida, conheço animais de todos os tipos, gatos nunca foram confiáveis, contudo meu faro não me engana, sei que você e a fêmea metida aí disseram a verdade. Se eu fosse vocês, amanhã, ao raiar do dia, iria embora como se o diabo estivesse nos meus calcanhares."
" - Mas o que está acontecendo afinal?"
" - Olhe, noto que você é tarimbado na vida. Deve saber que existem coisas das quais não temos controle, coisas que estão acima até mesmo da lei, é só o que posso te dizer. Repito, vá embora assim que puder! Boa sorte!"
Dizendo isto o cachorro nanico virou-se nos calcanhares e caminhou pelo corredor escuro e sumiu descendo as escadas.

Zé Gatão entrou e fechou a porta. Cat olhava fixamente algum ponto invisível a sua frente.
" - Está com fome? Não comemos nada desde a manhã."
" - Porque você tinha que me trazer pra esta maldita cidade, gato?" Ela demonstrava irritabilidade na voz.
" - Eu não te trouxe para esta 'maldita cidade', nós fomos obrigados a vir pra cá pois era a bosta do vilarejo mais próximo de onde a porra da moto quebrou. Ou ficávamos lá na estrada esperando um milagre ou vínhamos pra cá! Será que é tão difícil entender?"
" - Eu sei, desculpe! É que não me sinto bem....queria....queria muito estar com a minha mãe..."
" - Vai estar com ela logo, não se preocupe."
" - Eu ouvi o que o delegado falou, que era pra irmos embora daqui como se o diabos estivesse atrás da gente."
" - Não se assuste com isto, esses caipiras são dramáticos!"
" - Não, ele tem razão, você viu a cara dele quando falamos do morcego, ele deve saber de alguma coisa, deve ter algum culto diabólico em algum lugar perto daqui, esta cidade está amaldiçoada!"
" - Olhe, Catarina...."
" - Não, eu quero ir embora daqui! AGORA! Não suportaria passar a noite neste lugar! Não são nem seis da tarde e já está escuro como breu!"
" - Cat, estamos cansados e estressados, entendo que você teve uma experiência horrível hoje, mas tente se controlar, eu estou aqui com você. O mecânico disse que a moto só estaria pronta amanhã a tarde, isso se ele, na melhor das hipóteses, conseguir improvisar uma peça que nos permita chegar até uma outra cidade com mais recursos. Deveríamos comer algo e descansar para a viagem de amanhã."
" - Não, não! Por favor, não! Vá até o mecânico e veja se ele já fez os reparos, por favor!"
" - Catarina...."
" - Por favor, Zé Gatão, faça isto por mim, só mais esta vez! Por favor, me leve embora daqui!"

O felino cinzento viu que não teria como demovê-la. Sentou-se na cama e começou a calçar o tênis.
" - Escute, vamos até lá falar com ele, mas se não for possível, prometa que vai ter paciência e esperar até que...!
" - Eu não vou lá com você!"
" - Como é?"
" - Só vou sair deste quarto para sumir deste buraco dos infernos! Vá você lá. Pode trancar a porta e levar a chave e por favor não demore."
" - Tudo bem."

O Gato saiu. Pelo modo como ele bateu a porta mostrava o quanto estava irritado. Ele não compreendia. Ela não estava bem. Uma angústia tenebrosa lambia sua alma, sugava suas energias, um terror profundo a engolia. Seu coração batia descompassadamente, era um tum tum tum tá tá surdo que até machucava seus ouvidos. Ela ficou na cama, imóvel, sentindo cada segundo de um suor frio que percorria sua pela branca. Até perceber instintivamente uma presença do lado de fora da janela. Uma presença alada, como aquela que deixou sua carteira na delegacia. O terror a paralisou por completo. Sua audição felina captou um som nas escadas dos andares inferiores, algo subia, e não era seu protetor felino, as passadas nos degraus não eram cadenciadas, pertenciam a alguém com uma perna mais comprida que a outra. Ouviu uma respiração profunda dentro do quarto, o ente alado adentrara no aposento sem mesmo abrir a janela. O medo sobrenatural percorria as veias da gata, tateava com mãos descarnadas o interior de suas tripas, pressionava seu estômago e apertava seu coração. Tum tum tum tá tá! A entidade negra e maligna lançava sombras sobre seu corpo, o som descadênciado agora mais alto, próximo à porta. Ela não conseguia respirar! Um bafo fétido e quente acima de sua cabeça. Membros paralisados. Tum tum tum tá tá!
A porta se abriu com estrondo e o inferno penetrou no quarto com um cheiro infecto, pestilento; dois imensos cães, macho e fêmea confusamente costurados um ao outro, unidos pelas costelas, como siameses, cérebro e entranhas vultuosamente expostos, ganindo em agonia e fúria.
Encontrando forças no desespero, no fundo da alma consternada a gata gritou e se debateu para livrar-se do bloqueio de seu corpo.
" - Haaaaaaaa.....haaaaaaaaaiiiiiiiiii!!!!
" - Cat! Acorde! Cat, ACORDE!!!

Ela arregalou os olhos e viu Zé Gatão na sua frente sacudindo-a, livrando-a do inferno que a mortificava. Abraçou-se a ele aos prantos.
" - Calma! Foi um pesadelo, mas eu estou aqui agora!"
" - Fique assim comigo, por favor! Não me deixe mais, nem um só segundo!"
" - Não deixarei."

Ficaram em silêncio um tempo.

" - Olhe, falei com o Piggie, o mecânico, ele está forjando uma peça para substituir a que quebrou, ele disse que amanhã a tarde estaria pronta mas eu dei um gratificação extra e ele vai trabalhar durante toda a noite para nos entregar a moto amanhã cedinho, então poderemos partir, mas não antes. Teremos mesmo que esperar, tá certo?"
Ela balançou a cabeça resignada e afirmativamente.
" - Comprei algo para comermos. Precisamos repor nossas energias."
" - Não tenho fome."
" - Pelo menos beba algo. Tem suco e chá. Você escolhe."

O gato comeu sanduíches, bolo de mel e quase um litro de suco. Cat sem nada dizer tomou um chá de ervas aromáticas com limão.

A chuva tinha parado. Os dois deitados em silêncio no escuro quarto. O vento continuava silvando pelas frestas da porta e janela, trazendo de quando em quando um som como de sinos distantes.
Zé Gatão massageou as costas da fêmea, ela se aninhou ao seu lado e adormeceu.
 
Uma claridade despontava no horizonte quando o felino taciturno deu partida na máquina que os levaria para longe daquela vila. A mochila desgastada com os poucos pertences dele fortemente presa à mala grande dela, no bagageiro da moto.
Cat se agarrou fortemente ao hercúleo torso do mestiço e assim se deixou ficar, aliviada por estar de partida. A estrada enlameada se abria à frente deles. As primeiras luzes do dia forçavam passagem por entre as nuvens escuras.

                                                                         *   *  *  *  *

Quase dois anos haviam se passado desde o funesto dia naquela cidade que Catarina sequer chegou a saber o nome. Ela conseguiu um emprego agradável e se mudou junto com a mãe para um tranquilo e arborizado bairro classe média nos arredores de Andros. Arrumou um namorado, um gato que acabara de se formar em direito e tinha inclinações políticas, noivou e estava com data de casamento marcado.

Desde que a deixara nos braços de sua mãe ela não tivera mais notícias de Zé Gatão, ele prometeu que ficaria em contato mas não o fez.

Era uma tarde tépida, sua mãe, já de idade, estava tirando seu cochilo vespertino, algo bem comum aos gatos, e ela, de camiseta amarela curta e shorts jeans, sentou-se modorrentamente em frente a tv enquanto aguardava o noivo que daria uma escapada do trabalho para acompanhá-la no lanche da tarde.

Bem no momento em que a programação era interrompida para anunciar uma notícia urgente - a destruição total da Cidade do Medo - uma batida suave na porta se fez ouvir. Cheia de uma sonolência incomum, escutando sobre bomba termonuclear e o nome Equus Giordano, ela foi atender, devia ser seu amado. Os últimos raios de sol morriam no horizonte.
Caminhava pela sala como se flutuasse. Abriu a porta e diante de si, vislumbrou uma negra figura esguia que lentamente abriu os braços e revelou imensas asas cor de ébano e tinha de envergadura o dobro de sua altura e a envolveu plena e totalmente. A felina aspirou cheiro de fezes e carniça, tremeu enregelada. Foram as derradeiras sensações de sua vida.





19 comentários:

  1. Gostei muito dessa pegada estilo Stephen King (me lembra muito a escrita de horror e fantasia da Torre Negra) gostei principalmente do gancho com o álbum branco no final, pena que quem não leu o 1 livro pode não entender.Mas não é nada q interfira com a narrativa.
    Obs muitas palavras q não conhecia rs.
    Legal ver que o Zé continua vivo mesmo após o último álbum! :) sucesso Mestre. Obs tenho até hoje o quadro do Zé emudurado no meu Quarto. E toda vez que vejo não acredito o quanto incrível é o seu traço. Sucesso do seu aluno/leitor/ fã
    Roberto Snow

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Obrigado, meu caro Snow! Legal que tenha gostado. Diante da minha impossibilidade de fazer novos quadrinhos do felino tristonho, só me resta escrever uns contos de vez em quando. Não sou um escritor, mas gosto de desenhar palavras as vezes. Na verdade acho que essa narrativa está mais pra Ray Bradbury que Stephen King, mas é tudo fantasia e horror, gosto dos dois, então tá em casa. Me sinto altamente elogiado. Valeu mesmo.
      Grande abraço e muito sucesso na sua vida!

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  3. Vai ter continuação, Schloesser? Por mim, poderia ter. Eu continuaria lendo essa história com muito interesse. O ritmo tá ótimo. Tem um quê de Bradbury, sim, bem o tipo de conto que me agrada. Parabéns!

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    1. Não, Carla, não terá continuação. Pensei na história até ali mesmo, não saberia desenvolver nada dali para frente.

      Na verdade tudo o que desenho (palavras inclusive) é uma espécie de expurgo das coisas que me incomodam. Com exceção dos trabalhos encomendados, como ilustração de livros e aulas de anatomia, a arte me serve como meio de sobrevivência, nem que seja um desenho tolo num caderninho de rabiscos. Estes primeiros dias de 2016 tem sido muito azedos, a vida tem me feito engolir coisas desagradáveis e eu regurgito da única forma que posso, cometendo contos como este, afinal é mais imediato que uma hq.

      Obrigado pelas palavras.
      Felicidades.

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  4. Excelente!!!!!!Muito bom este conto do Zé Gatao.O texto é envolvente e se lê em uma só tacada.Espero que este conto vire um roteiro de um novo álbum do Zé Gatao.Personagem que eu aprecio muito principalmente pela originalidadebe pela liberdade que você trata os temas das histórias do Zé.Quanto as artes estão maravilhosas elogiar seu trabalho é chover no molhado.Continue assim,e meus parabéns.Vida longa ao Zé Gatao.

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    1. Obrigado pela visita e comentário, Fernando! Legal que a história chamou a atenção e está gerando interesse a ponto de sugerirem continuação o que ela vire HQ. A má notícia é que ela permanecerá como conto mesmo. As palavras é que tem de gerar interesse e sensações sem o uso de imagens. Bastam as ilustrações que botei nelas e tentei que fossem toscas. Pra os quadrinhos tenho outros planos. É aguardar o que nos dirá o futuro.

      Grande abraço e tanks again!

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  5. Ótimo conto, Eduardo! Parabéns! Me lembrou Robert E. Howard. E a sensação sempre presente de que algo vai dar muito errado tem um quê de Lovecraft. Muita tensão! Adoro histórias assim! E curti também o fato da história se encaixar cronologicamente nos acontecimentos do Zé Gatão. Isso enriquece ainda mais o universo ficcional dele. Deixou um gosto de "quero mais"... Ah! E as artes estão espetaculares!!!

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    1. Que legal te ver por aqui, Leandro! Pois é, Stephen King, Bradbury, Lovecraft e agora Howard, puxa, daqui a pouco fico inchado de tanta vaidade! Agradeço. Bem, são escritores densos e cada um no seu estilo me prenderam demais com suas narrativas góticas, com certeza sofri influência de cada um deles. Sempre me perguntei como inserir vampiros no universo antropomorfo e de que forma eu poderia fazer isto sem cair na mesmice. Bem, aproveitei os dias amargos deste mês de janeiro para me inspirar e joguei palha na centelha de uma ideia: as palavras foram saindo e acho que o resultado foi positivo dado ao retorno de vocês.

      Finalizei os desenhos com um pincel mais grosso e meio na pressa para dar um ar mais tosco. Acho que combinou.

      Obrigado, meu amigo, pela visita e palavras.

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  6. Parabéns, Mestre. A alta qualidade, tanto literária, quanto criativa desse conto comprova algo que sempre afirmo em conversa com amigos do ramo; Um bom quadrinista, antes de ser um desenhista, um roteirista, ou ambos, é um bom contador de histórias.
    No seu caso, exímio quadrinista, é consequência natural ser um exímio contador de histórias. Não que o final não tenha me surpreendido, rsrs. Sem, em momento algum, trair o universo do Zé Gatão, e talvez até por isso, me pegou de surpresa num clima de "Além da Imaginação". Sei que a vontade de "quero mais" é sempre presente em cada obra sua, mas, para mim, o final foi o "Toque de Midas". Parabéns, Mestre, por mais esse gol-de-placa!

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    1. Grande mestre Allan! Fico satisfeito de tê-lo aqui, meu amigo! E mais satisfeito ainda por saber que este modesto conto te prendeu a atenção. Este é mais um fruto dos momentos áridos pelos quais tenho passado. Mas esta é uma das funções da arte para quem as realiza, não é?

      Obrigado pelas gentis palavras e até próxima.
      Abração!

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  7. O talentoso cineasta Claudio Ellovicht também deixou um comentário sobre este conto, mas por algum motivo ele foi parar numa outra postagem, o "Memórias Póstumas de Brás Cubas (08)", se quiserem podem ler lá, mas fiz questão de reproduzir as palavras dele aqui. Obrigado grande Claudio, é um prazer e uma honra receber elogios seus. Grande abraço!

    "Eduardo, você tem um talento para histórias macabras e assustadoras que gostaria de ver mais ainda em suas HQs. Gostei muito da narrativa. Percebi que você usou de alguns artifícios mais testados pelo tempo em histórias de horror como, por exemplo, colocar a personagem feminina (frágil) como a protagonista e quase uma narradora dos eventos. Gostei da referência ao álbum branco com o Equus Giordano e tal... Voltei no tempo com essa menção!
    Que mais? Fiquei um pouco triste porque, de alguma forma, minha mente me levou à uma história familiar enquanto eu lia sobre a chuva caindo sobre a cidade: era "O Golem" de Gustav Meyrink... pensei no projeto em que a gente poderia estar trabalhando (talvez já ter até finalizado) se o projeto tivesse sido selecionado naquele edital... Deixa pra lá, não vão faltar oportunidades para trabalharmos juntos no futuro :) Parabéns pelo conto. Ainda tenho a pretensão de escrever ou ilustrar alguma coisa como fã do personagem. Quando estiver com mais tempo eu o farei, pelo puro prazer de fazer. Grande abraço, fera. Continue sempre criando, como o artista que você é."

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  8. O grande Allan Alex, além do comentário acima, me mandou um e-mail completando seus pensamentos sobre o conto e tomo a liberdade de postar aqui na íntegra:

    "Parabéns pelo belíssimo conto do Zé Gatão e a gata no cemitério. Super tríler de suspense e terror ao melhor estilo Além da Imaginação, ao meu ver, um dos melhores seriados do gênero da TV. Senti a tensão a cada instante dentro do cemitério, caramba! e o final foi fantástico! Daqueles finais que sequer dão ao leitor a tranquilidade de realmente ter sido um final! Fantástico! Sou seu fã, nobre Eduardo Schloesser.

    Grande abraço, amigo.

    Allan Alex."

    Agradeço demais mestre Allan.

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  9. Grande Eduardo Schloesser. Além de um grande desenhista é um belíssimo escritor. Que conto fantástico! A tensão nos prende do início ao fim. E que final! Legal também as palavras rebuscadas, tive que recorrer ao dicionário. Isso é ótimo, pois contribui para a melhora de nosso vocabulário. Lembrei-me dos contos produzidos pelo grande Mestre Fiuza.Sou seu fã. Viva o Zé Gatão! Abraços!!

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    1. Obrigado, Paulo, pelas palavras! As vezes uma ideia nos pega e não solta, o único modo de nos desvencilharmos é colocando pra fora, foi assim com este conto. Tenho orgulho dele, não vou negar.
      O Luca Fiuza sempre foi uma inspiração para mim, ao lado de lendas como Poe, Lovecraft, Howard e Bradbury.

      Grande abraço.

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  10. Primeiro : tá que pariu, que show! Isso sim é um conto! Segundo: tinha lá meus 17 anos quando adquiri crônica do tempo perdido! Eduardo parabéns cara que obra! (E sim fui pego de surpresa pelos contos +18) daquela edição mas mesmo assim cara muito show de bola! Rapaz Tava navegando pelo seu bolog e realmente sobres adquirir suas obras acho que depois do crônica do tempo perdido não viu mais nenhum,pelo menos aqui na Bahia. Cara muito sucesso e parabéns pelo Zé Gatão! Esse felino conquistou espaço comigo cara!

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    1. Bom dia Refferson!

      Rapaz, muito bom abrir o computador e dar logo de cara com um comentário tão positivo desses! Faz o dia começar melhor. Muito obrigado!

      Dia dos Mortos foi mesmo um conto inspirado, noto que Zé Gatão cravou suas garras em muitos corações afora e eu nem tenho ciência disso, mas vou descobrindo aos poucos.

      Já existem mais dois volumes com as aventuras deste felino invocado, na dúvida de como adquirir, mande uma mensagem pra gente.

      Abração e muito sucesso para você!

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  11. Uau! Bem sinistro esse conto. Acho interessante essa mudança e flexibilidade para as histórias do Zé. Muito legal mesmo!

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    1. Um personagem para todos os gêneros e gostos, Fabio. Grato pelo seu retorno.

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