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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

FIRME COMO PREGO FINCADO NA MERDA FRESCA.


AMADAS E AMADOS AQUI ESTOU DE VOLTA, pronto para pegar o touro da vida pelos chifres e domina-lo com garra. Bem, este é o desejo.

Meu final de ano foi bom, graças a Deus, mas confesso que no dia 31 eu contava os minutos pra que tudo acabasse e voltássemos à normalidade de nossas vidas. Eu e Vera (é como os íntimos chamam a minha esposa) trabalhamos muito, preparando ceia. Ninguém pra ajudar. Luta-se contra o tempo e na hora de degustar estamos "pelas tabelas", como se diz. Mas complicado mesmo foi na madrugada do dia 30. Quem me acompanha por aqui a mais tempo certamente deve se lembrar de uma postagem que fiz comentando sobre os loucos que literalmente me cercam, hão de se lembrar do cachorro maluco que late o dia inteiro. O que não falei é que os donos do tal cão não são boas pessoas. O chefe da família é um delegado, dizem, tem a esposa, um casal de filhos, uma empregada que fofoca o dia inteiro ao telefone falando de homem com as amigas (não fico prestando atenção, mas é impossível não escutar, o prédio é encostado ao nosso) e o cachorro latindo como em resposta aos desvarios de uma família que não se entende. No dia 30, por volta de 10 da noite, eles comemoravam alguma coisa, acho que era o aniversário da filha deles, uma moça bonita, porém execrável, e contrataram música ao vivo. Amados e amadas do meu coração, parecia que a festa era dentro do nosso apartamento! Os vidros das janelas tremiam com as vibrações vindas de fora! A música e os brados dos convivas só cessaram as cinco da manhã. Foi uma noite complicada. O dia 31 passamos quase o tempo todo na cozinha ou em fila de mercado, sempre tem um item que acaba faltando, aí já viu, né?
Comemos bem, na casa da sogra, estavam lá como de praxe a avó, irmãos, sobrinhos e cunhados da Verônica. Da varanda vi a queima de fogos na praia de Candeias. Isto não me trás emoção absolutamente alguma.

Para vocês saberem como foi o meu dia primeiro do ano, segue o trecho de uma carta que escrevi a um amigo de infância:

"Meu velho amigo, acabo de ler suas respostas e como sempre, me trazem muita alegria. Ontem, senti o coração turbado o dia todo, uma imensa vontade de chorar, mas não me permiti faze-lo, não quis preocupar a Vera ou quem pudesse notar. O porque? Nem eu sei direito, saudades da minha mãe e irmãos? Sim. Saudades dos poucos, mas sinceros amigos? Certamente. Pensar que todo esforço depreendido até hoje poderia ter rendido mais frutos, ao invés de me proporcionar apenas o básico? Também. Mas fazendo uma auto análise com parcimônia, reparo que o motivo maior é notar que vou envelhecendo muito depressa e o melhor da vida ficou para trás, lembrei do seu pai, do meu, de um tio que faleceu a pouco tempo e percebo a implacabilidade do tempo com mais força. Um novo ano começa e apesar de todo o otimismo comum a esta época do ano, não sinto vir no vento algo que justifique esta alegria que me parece tão afetada."

Estou trabalhando em quatro projetos ao mesmo tempo. Ilustro um livro didático de sociologia e o clássico de Lima Barreto chamado Numa e a Ninfa, estes pagam as contas, os outros dois são pessoais, a bio de Edgar Allan Poe (que me obrigo a trabalhar um pouco, pelo menos, todos os dias) e os desenhos que ilustrarão o novo conto de Zé Gatão escrito por meu amigo Luca Fiuza, a continuação de Seca Cruel, estes sim, fazem a coisa valer a pena.


A arte de hoje é um dos esboços para a capa do livro "A Vegetariana" da Devir. Os outros sketches vou postando com o tempo, no fim, não valeram meus esforços nem vi dinheiro, a autora, juntamente com o patrocínio de alguma empresa coreana, optaram por colocar uma foto na capa. Ossos do ofício.

Bem, chegamos em 2014. Daqui a pouco é carnaval, seguido de semana santa e depois, copa do mundo; talvez, após isto tudo, o país comece a funcionar.

Aguardo vocês semana que vem, se Deus quiser.

8 comentários:

  1. Olá Eduardo, apesar dos contratempos que relatou, desejo a você e sua família um bom 2014.
    Saúde, trabalho e paz.

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    1. Muito obrigado, Milton. Desejo o mesmo em dobro pra você e os seus.
      Grande abraço.

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  2. É isso aí, Eduardo. Apesar de tudo, força na peruca nesse 2014. Para pegar esse touro da vida há que se ter muita garra mesmo.
    Na virada do ano fui pra Paulista com a Graça. Chegamos pouco antes das 12 h. Mas na hora dos fogos, achei tudo muito chato. Era tanta gente te empurrando e cotovelando, suor, bafo de cerveja que nem consegui achar os fogos bonitos. Por incrível que pareça, curtia mais os fogos vistos lá na minha sogra, kkk.
    Mal conseguimos ver os shows, pois não conseguimos nos aproximar do palco. E ver tudo nos telões é não muito satisfatório. Mas apesar disso tudo, foi bom viver essa situação. Ao menos nesse próximo revelion já sabemos o que fazer e não fazer...
    Gostei muito dessa ilustra do cabeçalho. O cenário tá impactante, as cores, tudo. Parabéns!
    Grande abraço,

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    1. Grato, Gilberto, pela visita e elogios. A ilustra do cabeçalho é um pouco antiga, trata-se de uma capa para um livro clássico que nem lembro qual foi, na verdade fiz tantas, acho que ainda não foi publicado, se já imprimiram, não me avisaram.

      Sabe, acho que você tem muita coragem de ir a estes lugares tumultuados, eu fujo disso como um vampiro foge da luz solar, mas pelo menos você viu o lado bom da coisa.

      Bem, o ano começou e vamos continuar na batalha, na verdade nada mudou.

      Abração.

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  3. Oi Eduardo, folgo em saber que fostes agraciado com um bom final de ano, embora o pezar dos pezares.
    Em par com você, tambem não comungo do mesmo entuziasmo que parecer ser tão arrebatador às outras pessoas nesta época do ano, (no meu caso), talvez por saber que é apenas um momento e nada mais, ou talvez seja pesssimismo mesmo. Bom, no mais, boa sorte no seu trabalho.

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    1. É Adalberto, ser sincero e realista já me colocou em muita situação desconfortável, não gosto de ser do contra ou desmancha prazeres, mas prefiro não esperar nada da vida e/ou das pessoas e ter boas surpresas ao notar que estava errado do pensar que tudo vai correr as mil maravilhas pela simples força do meu pensamento e me deparar com uma grande desilusão (o que frequentemente acontece). Mas vamos esperar que tudo saia como o planejado: saúde, trabalho e boa remuneração.
      Obrigado pelos votos e desejo o melhor para você.

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    2. Eu que o diga, infelizmente sou colocado no corner, sem defesa, ficando assim difícil um contra-ataque, frequentemente engulo muita coisa exatamente para não ser, como você mesmo o disse, desmancha prazeres ou do contra. E só comentei por me sentir a vontade por aqui.
      Valeu, e a cada dia gosto mas desse blog.

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    3. Que bom, Adalberto, fico feliz que se sinta a vontade por aqui, o espaço é para isto mesmo.
      Obrigado e um abração.
      Como se diz: vamo que vamo.

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