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terça-feira, 16 de junho de 2015

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS ( 01 )

Tenho um novo livro pra fazer. Na verdade já estou fazendo. Aos que curtem aquelas artes de anatomia onde tento demonstrar quais são os músculos acionados em determinados movimentos já podem se alegrar, logo, querendo Deus, teremos mais uns álbuns assim nas livrarias.

Mas sabem o que é trabalhar sem motivação? É assim que estou. Caramba, gosto do que faço, não sirvo pra outra coisa, mas me sinto exausto, acabado, emperrado, como se precisasse de graxa nas engrenagens e nunca houvesse graxa suficiente. Tem entrado pouca grana e isto tem incomodado, vamos aos mercados atrás das ofertas, o sol a pino ou a chuva caudalosa, parece não haver mais no mundo o meio termo, a vida insinuando que vai acabar a qualquer instante. O pior é que sempre existe aquele ser humano que poderia ajudar mas faz questão de ser um entrave, na verdade ajudaria muito não atrapalhando. Mas mesmo sob condições adversas o trabalho vai evoluindo.

Logo pela manhã fui até à imobiliária conversar sobre meu aluguel. Felizmente sou aquele tipo de cara que nunca atrasa os pagamentos e nas dificuldades isto é levado em conta.
Saindo de lá topei com um amigo, dono de uma academia de musculação - lugar pra levantador de ferro mesmo - e conversamos um pouco. Meus problemas pareceram pálidos perto dos que ele enfrenta.


A arte de hoje é uma imagem de Memórias Póstumas de Brás Cubas, um dos melhores livros que já li.
Tive muito prazer em receber semana passada uma mensagem do editor e amigo Leandro Luigi Del Manto perguntando sobre os direitos destas ilustrações que fiz para os clássicos da literatura brasileira. Ele pensou num belo tomo reunindo os melhores desenhos e um pequeno texto explicando as cenas. Logo me lembrei de uns volumes de luxo que lançaram nos States de um artista chamado Joseph Clement Coll, um grande ilustrador da Golden Age que muito me influenciou com suas hachuras nervosas, as artes que ele realizou para O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle, são impecáveis.
Mas porém, contudo e entretanto para mim isto seria impossível pois a Editora Construir possue os direitos e eles não liberam de jeito nenhum. E na boa, não fosse este entrave, teríamos um mercado para este tipo de coisa? Não quero menosprezar o brasileiro mas estamos mesmo interessados em arte? Seguindo esta linha de pensamento haveriam coisas mais a discutir mas não posso me delongar aqui. Melhor cuidar do que fazer. Ainda tenho assuntos a tratar na rua.

Beijos a todos.

6 comentários:

  1. Oba, ilustração das Memórias Póstumas! Também é um de meus livros favoritos, Schloesser. Pena que a editora não liberou as ilustrações pra fazer um livro. Ficaria show. Fico feliz que você já tenha um novo livro pra fazer. Artes de anatomia são uma de suas especialidades. Vai trabalhando com calma que tudo se arranja. Abraço!

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    1. Na verdade, Carla, nem foi feito um pedido de liberação pra editora, não me dei ao trabalho, até porque, como já comentei por aqui, a maioria dos livros que ilustrei nem foram pra gráfica ainda, por isto sei que não liberariam, teve gente que me pediu permissão para usar algumas imagens em outras mídias e eles não concordaram. Mas quem sabe daqui a alguns anos?
      O livro devaneado pelo Leandro é uma ideia interessante por demais, mas como disse, não sei se teria alguma resposta comercial, seria pagar pra ver, mas as artes, embora os originais estejam comigo, por hora não me pertencem.

      O novo de Anatomia segue sendo feito com calma. Tudo vai se acertar, se Deus quiser.

      Obrigado e grande abraço.

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  2. Sei como é desenhar sem um naco de vontade. Como se, no meu caso, fosse fazer uma caricatura pra alguém. Algo que não costumo e não curto fazer, mas aprecio.
    Assim como não tenho pique pra criar tiras e vi aos poucos que não me encaixaria no mercado dos comics e seus prazos doidos.
    Fiz até testes pra arte-final pra um estúdio nacional, mandei por e-mail e nem me responderam.
    Quem acha que é só levar seu portfólio pra um agente que apareça numa comic con pra ser admitido, melhor não se iludir. Não é brincadeira.
    Só talento, não basta.
    Outro caminho, seria ilustrações de cards.

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    1. É duro, cara! As contingências da vida as vezes travam a gente, músicos e poetas também se sentem esvaziados, ouço falar. É que trabalhamos com criação, não é o mesmo que amassar massa de pizza. No meu caso atual, trabalhos de encomenda me deixam neste estado, somado aos problemas de toda a ordem que parecem se multiplicar na velhice. É preciso ter paciência e respirar fundo e ser profissional. Como você exemplificou, vida de artista é como rapadura: é doce mas não é mole. Agora, trabalhar com ilustração de cards deve ser muito foda! Eu gostaria.
      Valeu, Anderson!

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  3. Amigos meus, que também são ex-colegas do Curso de Desenho e HQ do Dinamo Studio, fazem cards pra empresas que tem contatos com a Marvel, DC e a produtora da série The Walking Dead. Agenciados pelo próprio Dinamo.
    Confira os blogs de 2 deles:
    http://matiasstreb.blogspot.com.br/
    http://artediegomoreira.blogspot.com.br/

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