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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

EU E AS CORES.

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?
Acho que todo mundo já ouviu esta pergunta, mas me parece que ela era mais comum antigamente. A resposta pelo menos parecia mais simples em tempos passados. A criança respondia de tudo, desde ser professor a astronauta. De presidente da república a jogador de futebol. Hoje a molecadinha quer ser webdesigner, ator, modelo, ou algo assim.
Meu amigo Luca na tenra idade queria ser oceanógrafo (isso ainda existe?) e acabou virando professor de história. Eu? Eu nunca quis ser merda nenhuma, virei desenhista, ou seja, atingi o meu objetivo.

QUAL A SUA COR PREFERIDA?
Esta também hoje me parece um tanto demodê, sei lá, posso estar enganado, mas quem liga? O fato é que já me perguntaram muito. A resposta sempre foi O AMARELO, amarelo-ouro de preferência. Dizem que é cor de egomaníaco. Será? Tanto faz, o caso é que ela me fascina.

Sabiam que sou daltônico? É sério. Certa vez, estava fazendo um retrato a óleo do meu irmão, e ele com seu jeito típico, me perguntou por que eu fiz o seu cabelo de tons esverdeados. Como? Tons esverdeados?!? Eu estou usando tons de marrom, preto e sombra queimada. De fato, olhando bem, eu usei verde achando que era outra cor.
Uns anos mais tarde, quando meu outro irmão estudava medicina, ele fez uns testes comigo e alguma bolinhas coloridas no meio de tantas outras de cores diversas, eu não consegui perceber.
Acho que não há remédio quanto a isto, de qualquer forma isto nunca me impediu de pintar, só tenho o cuidado de na dúvida entre alguns matizes, perguntar a minha esposa se tal cor é a certa.

Mas o que me fez abordar este assunto hoje, foram algumas cores que ficaram em minha memória e ainda me causam encanto e euforia.

Era o início dos anos 70, em Pirituba (SP), por volta da hora do almoço, eu havia chegado a pouco da escola, um dia nublado e frio, quando uma menina saiu de sua casa portão afora com uma bonequinha Suzie na mão. A Suzie, vale lembrar, era a concorrente da Barbie no Brasil.
O que me chamou a atenção na tal boneca foi a cor dos cabelos. Era um laranja avermelhado, de um tom tão particular que nunca mais vi igual. À visão daquela cor, todo o resto pareceu-me perder o brilho, o dia ficou mais opaco e cinzento. Nunca me esqueci. É difícil explicar, mas até a lembrança daquela tonalidade vermelho afogueado me trás uma emoção cálida.

Uns anos depois eu lia uma revistinha dos Sobrinhos do Capitão (estes ao lado de Tintin, estão entre meus personagens prediletos da infância) e o menino de cabelos louros numa das páginas teve sua cor mudada  por um erro de impressão, para uma cor alaranjada, semelhante àquela dos cabelos da Suzie. Mas não era algo para se comparar.
Com isto quero dizer que não procuro obsessivamente aquela tonalidade, pelo menos não conscientemente, mas é lamentável que não ter sentido de novo aquela comoção.

Saltando muitos anos no tempo, eu estava em Brasília, no início da Asa Norte, numa tarde tormentosa de nuvens escuras e baixas, quando um raio faiscou bem ao meu lado (este, mais um dos tantos livramentos que o Senhor Jesus me deu), e após aquele clarão intenso, tudo ao meu redor tornou-se em tonalidades lilases que duvido qualquer pintor reproduzir por mais habilidoso que seja. Esta é outra cor que não me sai da memória, e talvez nunca mais vá ver de novo.

Estes dois momentos singulares foram os únicos em que estas cores, uma quente e outra fria, me causaram impressões tão distintas e tão poderosas. Acho que sei como se sentiu o personagem do Umberto Eco, no romance A Ilha Do Dia Anterior, ao observar aquele pássaro de um azul nunca antes imaginado.  

Bem, em relação a arte de hoje, devo dizer que o desenho não é meu, é do mestre Rodolfo Zalla. Pintei em cima dos seus traços. Seria a capa de um livro, mas creio que não aprovaram, afinal nunca me deram retorno.
Sendo assim, fica exibida aqui.

Um bom fim de semana a todos.

2 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Caramba! Vc morou em Pirituba! Até meus nove anos morei por ali, Piqueri, Vila Bonilha, etc... Que mundo pequeno...
    Esse lance das cores deixa mesmo fortes impressões. Não tenho uma em especial, mas sei que funcionam como âncoras na sua psique. E assim toda vez que vc se defrontar (ou ao menos lembrar) com elas, lhe trarão fortes sensações. Às vezes vemos filmes que conseguem traduzir todo esse mundo rico de lembranças que é nossa infãncia. Nos quadrinhos, raramente.
    Ótimo final de semana,
    Abração

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  2. Moraste em Pirituba!?!?! Caramba! Não sei te dizer o local específico em que morei, faz muito tempo, mas lembro do meu pai falar em Pereira Barreto. Te soa familiar?

    Pois é, cores. Lindas cores. Tenho muito mais para falar delas, mas meu tempo é sempre tão reduzido, as vezes não estou no pique de escrever, mas quem sabe em outros posts. O fato é que elas causam mesmo um forte impressão, reavivando lembranças e emoções. Sons e cheiros também, mas deixemos estas considerações para uma outra postagem.
    Curta bem o weekend.
    Abraços.

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