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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O PINK FLOYD


Ok, se você é daqueles que só curtem MPB, ou samba, ou Punk, ou sei lá o quê, qualquer coisa que nada tenha a ver com a boa música, então não perca tempo lendo esta postagem, mas se você curte música erudita então é capaz de ter algo a ver com o Pink Floyd.
Meu objetivo aqui não é analisar a banda, classifica-la, rotula-la, comentar letras ou coisas do tipo. Deixo isto para os especialistas de plantão (meu, o mundo está cheio de doutores nos mais variados assuntos, as dissecações que eles fazem disso ou daquilo me enauseiam), quero é refletir sobre uma época da minha vida (sim, mais uma vez) e usar parte da história do Floyd como exemplo. Hoje, mais velho (mas nem por isto mais sábio), fazendo um estudo mais aprofundado sobre as letras da banda, escrita pelo megalomaníaco do baixista Roger Waters, eu teria motivos sobejos pra detestar a banda, mas não consigo, ela, assim como os Beatles, faz parte da minha vida, ou melhor, de uma fase dela que não dá pra varrer para debaixo do tapete.
A primeira vez que ouvi o som viajante do Floyd foi em meados dos anos 70, o irmão mais velho de um amigo ouvia na sua vitrola o lendário DARK SIDE OF THE MOON. Escutar aqueles sons de relógio, moedas, pessoas falando, rindo, no meio das músicas, como se fossem parte integrante delas (na verdade eram), sem atrapalhar a beleza das melodias, não era algo para se ficar indiferente. Inclusive, agora me recordo que bem no início dos anos 70, eu já tinha visto o LP que tinha uma vaca na capa, como ele não trazia nada escrito, só fui saber que era um dos discos mais incríveis deste conjunto, muitos anos mais a frente.
Na verdade, a minha fissura começou ao ouvir Another Brick In The Wall nas rádios. Eu nem sabia que se tratava do mesmo conjunto musical que chamara minha atenção anos antes. Somente ao ouvir o THE WALL na sua totalidade é que virei fã e com muito suor, comprei todos os discos. Nos meus solitários anos no Rio de Janeiro, o som viajante e misantropo do Pink Floyd me serviram de companhia. E aqui chego ao cerne da questão, me desculpem os mais jovens, mas me atrevo afirmar que só pode curtir de fato os sons peculiares de um disco como ANIMALS, quando o futuro se mostra nebuloso e o passado lhe morde o rabo como um cão raivoso. Só dá pra sentir a música Ask me Why, dos Beatles, quando se ficou debaixo da chuva esperando pela namorada que não apareceu. Certas passagens na existência parecem ganhar cores mais vívidas dependendo da interpretação que você faz daquilo que ouve, vê ou lê. Não sei se estou dizendo algo obvio, pouco importa, o que sinto é que há coisas que marcam mais por suas singularidades, e o Floyd tem força comparável a uma bomba termonuclear para isto.

        
Após o fabuloso disco WISH YOU ARE HERE, Roger Waters, como convém a ditadores, intitulou-se senhor absoluto da banda, recusando músicas do tecladista Richard Wright, impondo suas idéias (que, convenhamos, sempre foram ousadas e brilhantes), chegou mesmo a afirmar que o Pink Floyd era ele, ao contrário do guitarrista David Gilmour (a outra metade genial da banda), que disse certa vez que passou todos aqueles anos trabalhando o nome do Pink Floyd, não o seu próprio. Assim, após o bom, porém fosco, THE FINAL CUT, Waters decretou o fim do grupo. Como o restante da banda não concordou com a decisão, voltaram alguns anos mais tarde (sem Waters, claro) com um trabalho intitulado A MOMENTARY LAPSE OF REASON, disco que trás o som característico da banda mas não o seu espírito. Evidentemente, Roger não gostou e a coisa foi parar nos tribunais. Ele continuou lançando trabalhos solos com idéias singulares  mas totalmente sem brilho, ao contrário do restante da turma que lançou em 1994 o incrível THE DIVISION BELL.
Os fãs, assim como eu, sempre aguardou que os caras fizessem as pazes e retornassem com um novo trabalho como os clássicos MEDDLE, ou OBSCURED BY CLOUS, mas nada. Parece que agora é o Gilmour que não quer saber do assunto. E não dá pra censura-lo.
Sabem, durante boa parte da minha adolescência, eu tentei fazer parte de uma sociedade, um meio no qual me inserir, sem muito sucesso. Tive uns colegas que ainda que não queira admitir, marcaram muito a minha vida. Vejamos isto como uma banda de sucesso que mais tarde cada um segue seu rumo. Se me fizessem uma proposta para retornar, com certeza eu recusaria. Não dá mais pra me submeter a certas situações. Não é mágoa ou ressentimento, nada disso. Apenas o rompimento com as sensações negativas de uma época. Podemos até nos encontrar para uma cerveja, uma pizza, como o Pink Floyd fez, eles voltaram a tocar juntos no Live Aid 8 em 2005, mas jamais será como antes.


Agora ficou difícil mesmo da banda voltar com a formação original, pois Richard Wright morreu de câncer em 2008.
No vídeo abaixo temos David Gilmour e Richard Wright numa jam onde tocam um dos sucessos do The Wall, pra quem não conhece, são os que cantam e também os mais velhos, provando que certas coisas só melhoram com o tempo, afinal, o vovô Gilmour ainda manda muito com sua guitarra, os outros músicos eu não conheço.
Nem sei o que o baterista Nick Mason está fazendo da vida, mas Waters atualmente faz a tour de The Wall (inclusive com passagem pelo Brasil), vivendo dos dividendos e das glórias do passado.
Para alguns é só o que resta.

video

4 comentários:

  1. cara toda vida gostei do pink floyd eu to muito surpreso por vc tambem gostar meu albun preferido PULSE.
    veleu abração.

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  2. O Floyd, ao lado de Beatles, Queen e Rush, foram meus companheiros de jornada ao longo da vida.
    Abração.

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  3. Queen sempre fui fã deles.minha musica preferida
    BOHEMIAN RHAPSODY eu tenho um gosto musical muito refinado...agora só lenbrando adorei o comentario mulher com bico de pato. vc falou tudo que eu queria ouvir.

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  4. Pois é, realmente algumas mulheres perderam a noção do ridículo, certas intervenções cirúrgicas são desnecessárias.

    Eu gosto de 90% do que o Queen produziu e ao contrário da maioria, eu prefiro as músicas do Brian May ao invés do Freddie Mercury.

    Valeu.

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