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terça-feira, 4 de outubro de 2011

TALKING ABOUT THE WEATHER E SARGENTO DE MILICIAS ( 03 )



Depois do texto pesado de ontem, que tal uma conversa, ainda que rápida, sobre temas mais amenos?
Sobre o que falaremos? Sobre o desenho de hoje? Certo, é mais um do livro clássico, Memórias De Um Sargento De Milicias. Nanquim sobre papel opaline, não há muito o que acrescentar. Podemos falar do tempo, que tal?

O calor voltou. Parece aquele amigo mala que surge sem aviso. Passa dois meses, acaba com seu sossego, sua geladeira e depois vai embora reclamando que o problema dele é que só tem amigo pobre. Parece exagero né? Coisa de comédia hollywoodiana ou sitcom americano. Nah, eu minha família já passamos por situações do tipo. Uma vez apareceu uma certa advogada lá em casa recomendada por um juiz amigo do meu pai, e o que era pra ser uma estada de três dias acabou sendo quase um mês. Uma pessoa inconveniente toda vida, dando palpite em assuntos alheios. O pior é que a tal mulher acostumou e uma vez a cada, sei lá, quatro meses, ela reaparecia quando tinha que resolver alguma coisa na Justiça de Brasília. Constrangidos por ela ser amiga de uma pessoa a quem meu pai tinha estima, a gente aguentava calado. Fiquei sabendo mais tarde por outra pessoa, que ela falava mal de nós.

Em São Paulo havia um conhecido meu que aparecia nas horas mais improváveis, cedo ou tarde, pra ele não fazia diferença. E falava palavrão alto. Cara, meus pais estão aí, abaixa o seu volume - dizia eu, Ô, desculpe, respondia ele, e no segundo seguinte lá estava o cara bradando suas bobagens. Passei a evita-lo como a uma moléstia contagiosa, cada vez que ele aparecia eu dizia que estava de saída, botava uma roupa e me mandava pra um lugar qualquer. A que ponto cheguei.
Não sei dizer se estas pessoas são mesmo cara de pau, ou não percebem o quão inconvenientes são.

Mas o pior de todos foi um cara que cismou comigo, quer dizer, cismou que era meu amigo, quando na verdade era só um babaca que eu conhecia no colégio. Parecia um autêntico índio saído de alguma tribo lá no Xingú. Não sei como o  cara conseguiu meu endereço, talvez através de outro conhecido da sala de aula, o caso é que um dia de manhã ele me aparece lá em casa. Viera de bicicleta desde o Guará. Entrou, sentou, conversou fiado, peidou na sala (sério!), e minha paciência se esgotando.
Certa tarde eu chego em casa e minha mãe me fala que um amigo meu estava me esperando. Quem?!? E lá estava o cara sentado no sofá, todo refestelado assistindo TV. Chamei-o pra fora e fui taxativo: Cara, quando eu não estiver em casa nem ouse entrar, fui claro? O individuo se fez de ofendido e se mandou, logo no dia seguinte ele se associou a outro dois elementos pra me provocar no pátio da escola, mas aí já é outra história.

Pensando bem, o calor não é como estas pessoas. Definitivamente não. Ele é só um amigo mais intenso.

2 comentários:

  1. Fala, Eduardo!Gostei do sol como "amigo mais intenso", kkk. Aqui alugo uma sala que me serve de estudio/escritório e vez ou outra sou obrigado a usar essas estratégias de ter que sair apressado para lugar nenhum, kkkk. O mais incrível é que essas pessoas aparentemente não percebem quando estão sendo inconvenientes. Dá vontade de colocar aqueles relógios tipo cronômetro na mesa e iniciá-los ostensivamente quando um desses "amigos" se aproximam. Pra quem desenha e é meio introspectivo, tempo e sossego é o maior patrimônio.
    Abração,

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  2. Eh, Gilberto, reparou como nos últimos tempos só recebo comentários seus? No início tinha uma variedade maior de pessoas. Será que estou ficando impopular? Ou repetitivo? Bem, fazer o quê?
    Sabe, depois deste post parei pra pensar um pouco, e... cheguei a conclusão de que eu também tive os meus momentos de ser bem inconveniente!!! Se Deus quiser a próxima postagem será sobre isto
    Brigadão e um abraço.

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