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sexta-feira, 15 de julho de 2011

APENAS DEVANEIOS.


Faz tempo já, parei de me preocupar em agradar os outros através do meu trabalho. Sempre inseguro e extremamente exigente com meu traço, eu procurava um jeito de encontrar um público que se identificasse com as coisas que crio. A fantasia é a melhor forma que encontro para me expressar e demonstrar a maneira como vejo as coisas ao meu redor, ou melhor dizendo, como eu traduzo os acontecimentos que protagonizo ou que testemunho. Daí porque, não vejo necessidade de criar uma obra autobiográfica para transmitir meus pensamentos, ou desabafos se preferirem; pode ser numa boa história de ação, se ela vem recheada de violência e sexo, é porque não gosto de maquiar a realidade apenas para tornar o terreno mais confortável para o leitor. Quanto ao desenho em si, durante anos procurei um estilo que fosse inconfundível, como os do Colin ou do Mignola por exemplo, sem conseguir um resultado satisfatório. Mas aí é que está, ele surge quando você menos espera, sem se dar conta, seu método de se colocar no papel, sem que se perceba de maneira racional, fica ali impressa como uma digital.
Minhas influências são bem conhecidas: Corben, Wrightson, Liberatore e um ou outro detalhe que fui roubando de alguns outros mestres pelo caminho como Moebius e Eisner. Esta fusão, acho, deu este visual que alguns dizem identificar sem nem olhar a assinatura. Fico orgulhoso quando alguém me diz que viu algo em banca e imediatamente reconheceu meu trabalho apenas pelo estilo. Se tem personalidade própria, então valeram os esforços de todos estes anos.
Um detalhe como o movimento do corpo, a maneira como se desenha um rosto ou uma parte dele, pode até mesmo ser o que muitos chamariam de "defeito", mas que vira uma marca registrada do autor, ou seja, aquele pé ou mão, só tal desenhista poderia faze-lo.
As artes que mais me agradam não são aquelas em que tenho que me esforçar para agradar gregos e troianos, como nas lições de anatomia ou nas ilustrações para livros, mas aqueles que faço para descansar a mente, sem obrigação de ser coerente, deixando a mão riscar com uma esferográfica qualquer diretamente no papel, desconectada da cabeça o máximo possível, como demonstram estes exemplos postados hoje. Se são carregados de luxúria, castração ou tristeza, eu deixo para os psicólogos de plantão. Meus quadrinhos sempre foram carregados de simbolismos, e acho que ninguém percebeu, ou não deu a mínima, mas como eu disse no texto de inauguração do blog, acho que eu dou uma dimensão ao meu trabalho muito maior do que ele tem na verdade.
Ah, seria tão bom se eu pudesse pintar ou desenhar de olhos fechados, captando de dentro dos sentidos direto para a prancha, e ainda assim dar a forma precisa, que coisas poderia produzir! Não falo de abstrato, aquela coisa sem forma, cheia de cores caoticamente misturadas, nem do surrealismo, mas do desenho perfeito, saido diretamente da emoção para a tela, sem a interferência do olho lógico. Parece doidera, né? Bem, taí o porque muitas das minhas HQs serem como são.
Bueno, por hoje já filosofei demais. Nos vemos de novo na segunda? Quem sabe? Deus sabe.
Cuidem-se.

2 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Seria mesmo ótimo poder desenhar assim, como vc diz, sem interferência da razão. Apenas o fluir do sentimento. Por outro lado, assim solto demais, poderia ser o caos, kkk.
    Quanto ao estilo, já acho o seu bem personalíssimo e reconhecível.
    Abração,

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  2. Grande Gilberto, você possui grandes dons, além de se expressar através de desenhos, sabe como ninguém elevar minha alta estima. Sou muito grato.
    Forte abraço, amigo e que a semana seja bem produtiva.

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