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quinta-feira, 21 de julho de 2011

O MISTERIOSO CASO DOS LOBISOMENS GIGANTES ( CENA 01 )


Dizem que a idade trás experiência e sabedoria. No meu caso, há controvérsias; como já disse aqui outras vezes, sinto-me como um adolescente babaca preso num corpo em decadência. Meus devaneios e idílios não mudaram substancialmente desde a época em que tinha meus 10 anos. Ao contrário, o passar do tempo só me tornou mais misantropo e covarde. Digo covarde por não ter mais a coragem de arriscar certas empreitadas, ou por culpa das experiências passadas, achar que não vale mais a pena perder tempo com certas fantasias, o que é uma pena, pois ainda gosto bastante de certas idéias que não me abandonam a cabeça quando começam a tomar forma. Foi assim com a maioria das HQs que criei. Lutei para dar corpo a elas e no final das contas não atingi o alvo objetivado (pelo menos não ainda).
Certos conceitos surgem ao acaso, uma palavra, uma cena na rua, as vezes inspirado por algum artista que admiro, geralmente quando estou caminhando. Alguns ganham vida no papel, outros morrem antes de germinar, outros ainda, eu mesmo mato por constatar após rascunhar, que não são funcionais. Li certa vez, não lembro qual músico (não sei se foi o Paul MacCartney), que ao sonhar com determinada melodia ele acordava no meio da noite e rabiscava as notas num papel para não esquece-las. Mais tarde, ao tocar, algumas funcionavam, mas a maioria eram descartadas, pois eram uma merda. Comigo acontece assim também.

O Misterioso Caso Dos lobisomens Gigantes foi concebido não lembro bem de que forma, nem quando, mas era pra ser uma série de pinturas a óleo. Eu uniria num só conjunto duas coisas que sempre me fascinaram, gigantes e lobisomens. Com o passar dos dias, eu comecei a me questionar do porque. Quem se interessaria por uma coisa que só dizia respeito a mim? Quem iria comprar? Quem colocaria uma arte deste tipo na parede?  Talvez algum adolescente fã de filmes de horror, mas este mesmo garoto ao se casar com uma mulher que compra quadros para combinar com o sofá, iria descarta-lo, quem sabe guardar num canto para ser embolorado e esquecido.

Nós que admiramos a arte fantástica, vemos valor neste tipo de trabalho, mas a grande maioria não pensa assim; lembro quando certa vez levei meu portfólio para um amigo que admirava meus desenhos dar uma conferida, e a esposa dele, perplexa com o que viu, exclamou: "Como alguém tão talentoso se presta a criar coisas tão grotescas?". Ficamos todos calados e constrangidos.
Este tipo de arte, afinal, parece mesmo destinada às capas de livros, ou se eu morasse num país onde fosse possível ter meu próprio livro de portfólios e tivesse público pra isso. Nem quero pensar se o Boris Vallejo nunca tivesse saído do Peru. Ou se o José Roosevelt e o Juarez Machado nunca tivessem ido embora do Brasil.

Como já disse, a idade me tornou um poltrão, então desisti das pinturas, mas como ainda achasse o tema instigante, optei por criar uma HQ, ou contos ilustrados para dar corpo ao que se revolvia em minha mente. Mas eu não tinha uma história com começo, meio e fim muito claro na cabeça, o objetivo era mesmo uma pintura que falasse por si. Há também o fator tempo hoje em dia, e para agravar, como me dar ao trabalho de fazer quadrinhos sem a certeza de que será publicado?

Com isto tudo, restou apenas alguns desenhos que fiz para não ficar frustrado. E depois, quem sabe tudo não mude e estas pinturas um dia ganhem vida?

2 comentários:

  1. Texto bacana! É verdade. A idade vai chegando e já não nos arriscamos em coisas que outrora, seríamos os primeiros a tentar. Quantas empreitadas eu tentei...kkk. Mas hoje, menos afoitos, vamos seguindo. Talvez o garoto de 10 anos aí dentro do seu peito seja o Bily Batson (é esse o alter ego do Capitão Marvel, não?). Por via das dúvidas, grita logo SHAZAM, Eduardo.
    Abração,

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  2. Que bom que gostou do texto. As vezes fico inspirado.
    Já gritei SHAZAM, Mas acho que comigo a transformação virá mais mais tarde, vai saber.
    Abração meu amigo.

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