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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA.




Este livro, considerado uma das obras primas de Lima Barreto, como o próprio título indica, é recheado de situações infelizes; não só o fim, mas toda a vida do major Quaresma é um caldo viscoso de insucessos e luta contra moínhos de vento. Pelo pouco que conheço da vida deste escritor, nota-se nele uma mágoa muito grande em relação ao status quo de sua época, pelo não reconhecimento que sua obra merecia. Basta se aprofundar um pouco em seus personagens para sacar o quanto de si mesmo e situações vividas tinham a ver com sua condição de autor relegado a segundo plano, provavelmente por ser mulato, e ai posso teorizar várias outras coisas, mas francamente não me compete, análise de vida e obra de um artista, eu deixo para os especialistas. O triste é saber que muita coisa permanece a mesma desde aqueles tempos. Acontece em todos os setores das artes.

Tenho recebido com muita frequência links de debates sobre assuntos já velhos, com as seguintes perguntas enfiadas uma ou outra vez ao longo do colóquio: "porque q hq nacional não vinga?" ou "o que falta ao artista brasileiro viver de sua arte?"
É interessante notar que atualmente os debatedores são sempre os mesmos, os autores da moda, que diga-se de passagem, são extremamente talentosos e que mereçem estar no olimpo dos grandes criadores de quadrinhos neste país. A questão é que não são os únicos, há uma pá de gente brilhante que normalmente é ignorada nos grandes festivais e etc. Não falo por mim, pois me sinto um privilegiado, vou logo adiantando.
Quando comecei neste meio, em São Paulo, eu ia a todos os eventos possíveis, Ângelo Agostini, Gibiteca Enfil e tal e coisa, e os convidados para as mesas redondas eram os fodões da época, e reparei que em muitos momentos, estes mesmos fodões estão por trás dos fodões atuais. Ou seja, não parece haver uma renovação legítima de pessoas dentro do mercado, tendo a pensar que aí fica difícil mesmo a "coisa" ir para a frente, se existe um bolo tão grande, mas as fatias são distribuídas para apenas uns poucos. Paranóia minha? É bem possível, mas sei lá, conheço tantos caras (desenhistas e roteiristas) que labutam nestas trincheiras, que não dá para evitar a comparação com o major Quaresma e seu criador.

Esta é a ilustração que criei para a capa do livro. 



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