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quarta-feira, 23 de março de 2011

O SOL E O TSUNAMI.


O vento que circula do ventilador é morno.
Sem inspiração para desenhar ou escrever.
No meu fone de ouvido o KISS canta FOREVER , o guitarrista dedilha virtuosamente seu violão (nesta fase, seria Bruce Kulick ou Mark St. John?)
Ontem pela manhã fui até o SESC de Piedade resolver algumas coisas; saí de lá devia ser umas 10 hs, resolvi dispensar o ônibus e voltar a pé pra casa, afinal dali até minha residência dá uns 20 minutos de caminhada. Voltei pela praia. Como o céu estava de um azul magnífico, tirei a camisa para aproveitar um pouco o sol. A maré estava baixa. A visão era feia, a areia da praia mostrava um desagradável carpete verde escuro de algas mortas. A brisa que soprava tinha um forte e nauseante cheiro de maresia.
Só quando cheguei em casa eu me dei conta do meu erro ao caminhar sob o astro matador, eu parecia um camarão tostado. Contudo acho que minha pele já está curtida, não há ardor, felizmente.
(Agora, Mark Knopfler detona sua guitarra em "Cleaning My Gun").
Na minha prancheta, os esboços da capa do livro "O Cabeleira" de Franklin Távora. Ainda não achei o ponto. Aquele início, aquele tiro de partida para começar a correr. Mas ele vai se fazer ouvir. Sempre é assim quando ocorre meus bloqueios criativos.
O som que rola agora é de 1973. Jackson Five. Michael e seus irmãos com "Aint No Sunshine". Meu, esses negros eram bons em seu ofício! Bem, pelo menos naquela época ele (Michael) era negro. 
Falo do clima, das minhas crises,  mas na verdade nem posso reclamar, afinal parte dos japoneses estão na merda neste momento. O que me lembra que minha sogra teve na noite da tragédia um sonho, onde uma imensa onda se elevava cobrindo tudo. Ela queria telefonar para minha esposa mas não conseguia acordar. Disse que o sonho era de um realismo apavorante.
A arte que ilustra este post, foi feita com um lápis sépia para meus cursos de desenho. Penso que é apropriada para as linhas que divido com vocês hoje. 
Agora, roda o subestimado álbum "Amused to Death" do ex - Pink Floyd, Roger Waters.
Na noite passada foi a vez da Verônica sonhar que estávamos na praia e assim do nada, uma onda de proporções ciclópicas se levantava prestes a nos engolfar, quando a Mão de Deus segurava a fúria das águas impedindo que fôssemos tragados. Acordou assustada e não pode mais dormir. Apesar do calor ela sentiu frio e se envolveu no lençol. Eu? Eu dormia ali ao lado, alheio a tudo isto. Ando muito cansado física e mentalmente. Apesar dos percalsos, não me importo com os raios do sol ou com o tsunami. Só consigo pensar na Mão do Onipotente a nos guardar. Se vier fogo ou água, que se pode fazer? Nos abraçaremos como naquele filme "Presságios" com o Nicholas Cage, e aguardaremos juntos o inevitável final.

2 comentários:

  1. Fala, Eduardo! A veia poética corre solta nesse texto! Apesar de todas as tragédias, é importante manter a fé na vida , em Deus...
    Abração,

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  2. Isso mesmo velho.
    Não se pode sentar na beira do caminho esperando a morte chegar ou que as coisas aconteçam.
    Valeu aí.
    Abraços.

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