Conheci o Arthur Garcia em 1992, o mesmo ano em que eu e minha familia voltamos a residir em São Paulo depois de quase 20 anos vivendo em Brasilia. Comigo, duas metas a serem atingidas: Viver de arte e deixar para trás as desventuras de um passado recente. Passado este cuja tristeza e amargura culminaram com a criação de Zé Gatão como forma de catarse. Digo isto porque o Arthur teve muito a ver com meu inicio em Sampa.

Fomos lá, eu e o André, meu irmão. Auditório cheio. Os artistas em questão eram Octávio Cariello, Marcelo Campos e Arthur Garcia, a mediação era feita pelo Worney Almeida de Souza.
Marcelo Campos e Cariello trabalhavam para algumas editoras americanas ( foram pioneiros na empreitada ), já o Arthur fazia hqs para o mercado franco-belga. O debate foi legal, começou com o Arthur e me simpatizei com ele de cara, ele fala pra burro, mas fala bem e tem muita coerência nas suas colocações. É assim até hoje. A certa altura, o Mauro dos Prazeres (editor da Devir) subiu ao palco pra dizer não lembro mais o quê, mas recordo que perdi a conta de quantos cigarros ele fumou num curto espaço de tempo.

Tornei a encontra-lo certa tarde na Muito Prazer, batemos um papo rápido e logo convidou-me para ir visita-lo no estúdio que ele dividia com seu amigo e sócio, o saudoso artista João Pacheco. Fui na primeira oportunidade levando uma pastinha com desenhos que tinha feito. Ele e o João foram extremamente gentis comigo. Posso afirmar isto com convicção pois em dias vindouros, reparei que este tipo de recepção era algo incomum; por exemplo, não fui bem recebido na Editora Vidente pelo Álvaro Omine.

minhas páginas e rende dividendos até hoje.
Arthur fazia uma página de quadrinhos para um jornal belga intitulado "Os Cruzadinhos". Digo que minha vida nunca mais foi a mesma depois do meu contato com eles. Por intermédio deles conheci o Franco de Rosa e a partir dali comecei a fazer ilustrações pra várias editoras, a maioria indicada pelo Arthur.
Ele morou uns anos na Europa, foi considerado um dos melhores desenhistas de Portugal naqueles anos. É considerado um artista que consegue se sair bem em qualquer estilo, realista, cartum, infantil, mangá e o que mais aparecer.

Há muito o que dizer sobre este grande amigo, mas meu espaço e tempo é curto. Mas ele será sempre citado em minhas postagens, pois quase tudo que fiz e faço tem reflexos no que ele me ensinou, e se cheguei a aparecer neste cenário de tantos caras que produzem sonhos (ou pesadelos), isto só aconteceu por causa do Arthur Garcia.
Obrigado por tudo e que Deus te abençõe meu amigo. Ah, e da próxima vez que eu for te encher o saco na sua casa, não se esqueça de comprar aqueles biscoitos casadinhos, ok?
Fala, Eduardo! Tudo bem?
ResponderExcluirRapaz, que coincidência! Tenho um amigo que trabalhou um pouco c/ o Arthur, segundo ele, na HGN, com animação. Quando ele me disse isso, disse que já o havia visto na Historieta, do saudoso Orcar Kern. Resultado, ele disse pro Arthur que um cara vizinho seu (eu) o conhecia. E eu, que trabalhava feito um doido com letreiros, e meio bicho do mato, perdi a chance de realmente conhecê-lo, tendo recusado um convite feito por esse meu amigo para ir ao estúdio. Segundo meu amigo, o Arthur tinha vivido na França, premiadíssimo por lá, etc...
Às vezes o efeito de uma pessoa na nossa vida é tremendo e não temos nem como pensar como seria se não houvesse essa pessoa. Bacana saber que com você também seja assim.
Ótima semana pra vc.
Abração, e desculpe se escrevi demais,
Brother, dizem que nesta vida duas coisas são necessárias para vencer, talento e sorte. Por sorte eu entendo que seria encontrar a pessoa certa no momento certo. O Arthur foi esta pessoa num momento chave da minha vida. Óbviamente fui atrás da oportunidade e tive que ser muito incoveniente. Mas va lá, um pouco de cara de pau ajuda nestas horas. Imagine você que foi um pouco assim também a minha "quase" amizade com o Lourenço Mutarelli, mas ali nem a cara de pau ajudou. Lourenço, ao contrário do Arthur não é tão aberto.
ResponderExcluirEscreva o quanto quiser Gilberto, aqui o espaço é seu.
Um grande abraço.
O que eu posso dizer? Muito obrigado pelas palavras gentis! Nos vemos aqui em Sampa...?
ResponderExcluirNão há nada para agradecer irmão.
ResponderExcluirEstou com muita vontade de ir a Sampa, preciso sair um pouco daqui, mas não sei se será possível tão cedo. Não é só uma questão de dinheiro, há tantos poréns. Contudo, quem sabe? Vamos aguardar....
Fique bem.