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terça-feira, 14 de setembro de 2010

UMA HISTÓRIA DE CANGACEIROS.


"As coisas que se faz pra sustentar a família", poderiam dizer alguns. Realmente. Lembro de ter lido uma entrevista com o Sylvester Stallone faz muito tempo, à época ele tentava vetar a distribuição de um filme erótico que ele fez em seu início de carreira. "Estava na pior, precisava de dinheiro, tinha um filho pequeno e doente, ou fazia o filme ou teria que pegar uma arma e assaltar alguém". Foram mais ou menos assim as palavras do cara. Para quem já dormiu em parada de ônibus, limpou merda de leão no zoo do Central Park, deve ter sido como ele falou. O caso é que muitas vezes nos vemos nesta situação. Não foi bem assim comigo quando comecei a fazer hqs pornôs, mas quase. Não conseguia nenhum trabalho como ilustrador e pagava-se bem por estas publicações. Nem pensei, agarrei o touro pelos chifres.
Quadrinhos eróticos e pornográficos na Europa não são vistos com o mesmo preconceito que aqui. No velho continente nomes como o de Milo Manara, Magnus, Serpieri, só para citar alguns mais conhecidos, são reverenciados como grandes mestres. Vide o sucesso estrondoso do polêmico Lost Girls do Alan Moore. A diferença é que lá este tipo de quadrinho possui mais conteúdo, ou seja não é sacanagem pela sacanagem. Pensando nisto foi que procurei colocar nos meus enredos algo mais do que o cara que pega aquela tia, a vizinha, uma prima gostosa do interior ou algo do tipo. ESCOLHA MALDITA foi a segunda hq que criei neste período. Sempre quis fazer uma história de cangaço, acho o tema fascinante mas nunca tinha tido oportunidade. Como eu cuidava também do argumento "viajei" na ideia. O Capitão Setembrino invadia o sítio de um cara que o dedurara para a polícia intentando uma vendetta. Roteiro simples e básico, no meio eu daria um jeito de encaixar as cenas de sexo. Algo que, devo admitir, empobrecia a trama, mas fazer o quê? 
Nesta época eu morava numa quitinete na 202 Norte em Brasília, o irmão caçula de minha esposa morava conosco, na época ele tinha 8 anos; resultado, eu tinha que trabalhar quando ele estava no colégio ou quando dormia. Noutros momentos eu me trancava no banheirinho e desenhava apoiado na máquina de lavar.
O Guaberto Costa acha que é uma história genial, exagero dele, ela tem muitos problemas, não me preocupei com a anatomia ou cenários, levo em conta também o tempo para entrega, caprichei mais nas cenas de sexo, porque afinal, o público alvo tinha que ser atingido.
Ela foi publicada num "Jumbo", ao lado de feras como Rodval Matias, Mozart Couto, Watson Portela entre outros. Parece que vendeu bem e ouvi que aquele que possui um exemplar tem um item raro nas mãos.
Cheguei a criar outras histórias mas este gênero de BD chegava ao seu ocaso. Minha teoria é que a internet contribuiu pra isto, mas é tema talvez pra uma futura postagem.






4 comentários:

  1. Grande, Dudu!! voltei, amigo! essa hq eu já tinha visto na época em que fez! muiiiiiiito fera, cara!!! me lembrou uma noticia que vi esses dias, que mais um cara do bando do Lmapião morreu recentemente! histórias do Brasil! abração!!!

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  2. É mesmo? e ainda tem cara vivo ( ou melhor dizendo, morto recente )do bando desse cara?
    Gosto também desta hq. Mas ainda preciso faezr uma que está na minha cabeça faz anos. Esta sim é um choque.
    Valeu artista , fique bem.
    Abçs.

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