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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MÃE E FILHA.


Relaxar. Ultimamente eu tento e não consigo. Há muito o que fazer. O tempo nunca é suficiente.  Meu corpo está quieto mas minha mente não para. Enquanto escrevo, os pensamentos divagam. Tento me concentrar. A música geralmente me acalma. Estou com fones de ouvido. As melodias me transportam para outros tempos. Nem tão melhores, mas diferentes.
Ouço John Lennon, "Aisumasem (I´m Sorry)" do subestimado álbum Mind Games.
Acima de tudo, penso no trabalho, manter o padrão de vida do qual acabo por me tornar escravo. É assim com todos. Somos dependentes demais do que construimos ao nosso redor e nem nos damos conta. Quando abrimos os olhos constatamos que o bonde da vida está veloz demais, já não é possível saltar sem se arrebentar todo. Tá, eu sei que como filósofo eu sou medíocre, mas o que posso fazer?
Agora John diz a Yoko que sente muito, que não vai machuca-la de novo.
A música avança.
Eu continuo sem conseguir relaxar, nem me concentrar. Penso também em todas as artes que nunca farei. Nas idéias que estarão para sempre trancadas nos porões da minha alma. As vezes ouço seus gritos sufocados me acusando do tempo que perdi correndo atrás do vento enquanto poderia ter estudado mais, produzido mais, insistido mais.
Vaidade. Tudo vaidade.
No solo final, a guitarra de David Spinosa chora em seus dedos. Lennon sabia escolher seus músicos, sabia arranjar suas canções. São os acordes finais. Não pare porra! Ainda não terminei o texto!
As notas chegam ao fim.
Uma outra começa.
"So Many Things" com a Sarah Brightman.
Eu passo para a próxima.
Preciso de algo mais antigo, mais nostálgico.
"Miss You Nights" do Cliff Richards. Não, triste demais.
B. J. Thomas, "Songs".
Essa é das boas, é das velhas.
Me lembra a Ilha de Paquetá.
Estive lá em 1974.
A ilha da Moreninha.
Ilustrei este livro o ano passado. Livro chato.
De uma lembrança a outra.
Encontro conforto na família.
Este pensamento sim me relaxa.
O que nos trás a arte de hoje. Tentei neste óleo retratar minha mãe e minha filha a tanto tempo atrás que nem sei. Pablo Picasso foi a inspiração. Meu afeto a dois amores travestido de homenagem ao grande pintor catalão.
Dona Francis está ok, mas em Samanta eu não acertei. Nariz arrebitado demais.
Minha mãe e minha filha. Saudades.
A melodia finda e também minha postagem de hoje.

2 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Hoje, além do desenho, tb o texto está belíssimo (tenho usado muito essa palavra ultimamente, kkk). O quadro de Picasso tinha apenas um garoto, não?
    Abração,
    P.S. Acabei respondendo sobre a corrida lá no meu blog, mas reitero aqui que apenas participei. +/- 18 minutos depois dos quenianos campeões. O primeiro brasileiro, segundo minha mulher, chegou em 3°. 1 hora após eu chegar ainda havia gente chegando!!!.

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  2. Valeu, Gilberto, Obrigado pelos elogios. Tem dias que estou mais inspirado.
    De fato, o Pierrot do Picasso só tinha mesmo uma figura (alguém me disse que seria o filho dele e que este quadro estava inacabado, estudei isto a tanto tempo que nem lembro direito). Pertence à fase azul dele.
    Parabéns pela corrida. Meu irmão caçula gosta de participar destas competições. Como dizem, o importante é competir.
    Um forte abraço.

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