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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O DEMÔNIO INTERIOR.

Ele já estava cansado de filas, aquela era a terceira que ele enfrentava em um curto espaço de tempo. A primeira foi no caixa eletrônico pra ver o saldo. Havia uma velha e um gordo na sua frente. Ele sabia, gordo é velho é garantia de lentidão aonde quer que seja. Não deu outra, foram mais de 20 minutos pra uma simples operação de verificação de extrato e saque.
A fila seguinte foi no mercado, ele só fez as compras que sua esposa pediu antes de ir pagar a conta na casa lotérica porque havia poucas pessoas na fileira. Ledo engano, os poucos caixas de atendimento eram mais lerdos que uma lesma manca e foram pelo menos mais 25 minutos de desperdício de tempo. O pior era um cara atrás dele, falando como um revolucionário idiota, que o que faltava era concorrencia, que aquela demora toda era porque brasileiro não gostava de trabalhar. Na sua frente uma velha começou a dizer que todo mundo reclama mas na real ninguém faz nada pra mudar, em vez de observar o pôr do sol, ou ouvir o canto dos pássaros, as pessoas preferem se queixar. Estava entre a cruz e a espada.

Na lotérica a fila não demorou tanto, quando chegou a sua vez foi atendido por uma negra obesa e estrábica, ela olhou para ele dando a impressão que fitava o cara de trás. Primeiro fez sua fézinha na mega sena, pagou com uma nota de dois reais, uma cédula que parecia ter sido ruminada por um bovino doido e depois cuspida. Estava louco pra se livrar dela. A mulher pegou a nota com nojo. Depois ele apresentou a fatura. A negra digitava enquanto conversava com a colega do lado, ambas atrás de um vidro espesso com película. Pagou meio sem jeito por causa das sacolas com as compras. Olhando para a pessoa de trás a enorme atendente perguntou algo. "Quê?!?" Indagou.
"Tem dois reais pra ajudar no troco?" O tom da mulher era ríspido e impaciente. "Não, não tenho". Com um bufar na respiração a gorda lhe deu o troco, ainda conversando com a parceira. Alguém atrás reclamou da demora, pensou que fosse o cara do mercado, não era, é que o mundo estava cheio de gente assim. Pelos menos esses verbalizavam o que sentiam. Ansioso pra sair dali, meteu as moedas e cédulas no bolso e ganhou a rua, batia uma brisa fresca vinda do leste, foi aí que conferiu o dinheiro e se deu conta de que a nota  de dois "triturada" tinha voltado pra ele, e pior, faltava ainda dois reais no troco. A mulher arrogante, papeando com a amiga, não prestara atenção ao trabalho. Voltou pronto para a reclamação, mas desistiu ao constatar que ela estava tendo um violento entrevero com outro cliente.
Dois reais não valem a pena mais uma dor de cabeça, pensou, depois ele errou não verificando a grana ainda na presença do caixa.
É, não tinha sido um bom dia.

 

2 comentários:

  1. Verdade, Edu, eu fiz essas caricas em 2 dias, direto na tablet. Fpoi pauleira pura. Cara, lembro de vc na Pizzada sim. De vc e das brahma! Huahauahauhaha Obrigado pelo elogio...
    Eu conheço o seu trabalho ha tanto tempo, desde seu livro pela Via Lettera, depois os livros de desenho e agora no Zoo (tem HQ sua la' no livro do Nestablo, ne'?) vc e' demais! ABracao

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  2. Grande Bira, legal receber tua visita por aqui, "mi casa, su casa", apareça mais vezes.
    Rapaz, cê lembra da noite da pizza?!? Foi tão rápido que nos falamos... mas valeu.
    Poi é, desde a Via Lettera, se passaram 8 anos e só agora sai um novo Zé Gatão pela Devir. Como estamos cansados de saber, a vida de quadrinista neste país não trás lá muitas satisfações, mas vamos tocando o barco.
    Teu trabalho é inspirador. Abraço grande e muito sucesso pra tí.

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