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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ZÉ GATÃO - CRÔNICA DO TEMPO PERDIDO (ENCERRAMENTO)


Embora eu sempre afirme que um dos meus sonhos é ler algo que tenha publicado sem me sentir constrangido, não posso deixar de sentir certo orgulho de algumas coisas que produzi, e isto é muito mais pela sensação de dever cumprido do que propriamente pelas qualidades da obra em si. Uma parte de mim insiste em afirmar que poderia ficar muito melhor (de fato é verdade), enquanto outra parte tenta me convencer de que faço o melhor que posso com as condições que disponho (o que também não é mentira). Mas há uma ponta de tristeza quando vejo um material, como o meu segundo álbum, se despedindo do público. Trata-se de "Crônica Do Tempo Perdido".


 Conversando com o editor da Via Lettera fiquei sabendo que o foco da empresa no futuro não serão os quadrinhos, e Zé Gatão (que nestes quase dez anos de editora não foi exatamente um sucesso de vendas) não terá uma segunda edição. A editora possui pouquíssimos exemplares em estoque, fora alguns consignados ainda com alguns clientes, portanto, você que está conhecendo agora e tem interesse em adquirir, ou já conhece a muito tempo e sempre adiou a aquisição, eu aconselharia não perder tempo e procurar em alguma Comic Store ou pela internet, soube que o Submarino possui o item em promoção, e também algumas livrarias virtuais. Já me passaram e-mail perguntando se tenho para vender. Não, não tenho.
Evidentemente sempre há a possibilidade de republicação por outra editora, mas na boa, eu duvido que isso aconteça.
De qualquer forma fica aqui expressa a minha gratidão aos editores Jotapê Martins, Monica Seincman e Roberto Gobatto.


A Via Lettera editou 1000 exemplares deste livro. A população brasileira ultrapassa o número de 180 milhões de habitantes. Tiremos a grande porcentagem de analfabetos, subtraiamos os que não tem o habito de ler quadrinhos, separemos os que só curtem HQs de humor, super heróis ou mangás, coloquemos de lado os que desprezam o material nacional que não seja Monica ou Pererê. Afastemos os que não tem grana pra gastar com gibis caros vendidos em livrarias. O que sobra? Um número reduzido que gosta de colecionar  material alternativo, ou indie, ou underground, ou como raios você chame. Tenho certeza que são poucos, mas ainda assim certamente ultrapassa os tais mil. Entendem o que quero dizer?


Bem, não posso me queixar no final das contas. Limitei muito o meu público fazendo meus quadrinhos como quis (que no fundo faz parte de um grande desabafo), e não me arrependo. Fiz sozinho, ninguém me apontou um único lápis. Demorou, mas consegui publica-los sem fazer parte de grupos ou panelas. Acho que posso me considerar um vencedor.
Glórias a Jesus.

4 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Não duvide nunca disso. Você realmente é um vencedor. Mas esses números que vc cita podem mesmo desanimar, afinal, mil exemplares não é quase nada. Fico tentando entender como funciona esse mercado, mas creio que é cultural mesmo. Essa semana teve o FIQ e não vi nada na TV. Por outro lado, o SWU tá bombando...
    Mas é isso aí, continuemos.
    Ótima semana e obrigado pelos comentários lá no blog.
    Abração,

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  2. Obrigado pelas palavras, caro Gilberto, isto dá um gás extra.
    Realmente certos eventos tem muito mais destaque que outros. No caso das HQs, apesar do otimismo do momento, ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas já houve melhoras, como a Globo ter dado espaço para falar do Rio ComicCom. Bom para as estrelas do momento e para a nova geração que se avizinha. Pra mim, tenho a sensação que isto chega um pouco tarde. Mas meu recado foi dado.
    Grande abraço e boa semana.

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