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quinta-feira, 28 de abril de 2011

CARICATURAS ANTIGAS.


 Um dos melhores textos que escrevi para um curso, infelizmente não foi publicado. Nem sei direito porquê, falta de espaço talvez? Ele deveria constar em um dos volumes do "Método Dinâmico de Desenho e Pintura" da Escala, um que tratava das caricaturas. Nem possuo mais o original manuscrito, enviei pelo correio com algumas artes que não voltaram para minhas mãos. Bem, naquelas referidas linhas, eu contava sobre um período da minha vida em que tentei ser caricaturista. Na verdade nunca fui muito bom nisto. Vejo que existem caricaturas e caricaturas. Explico: Tem monstros sagrados como o Loredano, que a partir de linhas, digamos caóticas, numa distorção grotesca, conseguem retratar tais e tais personagens de maneira muito clara. Se vocês não conhecem o trabalho dele, não percam tempo comigo e corram no Google para sacar a que me refiro. Um cara como este é impossível copiar o estilo sem cair no ridículo. Aí temos caras como Chico e Paulo Caruzo, dois grandes mestres na área, mas que vão por uma linha bem diferente. Não há ali, exageros monumentais, apenas a deformação básica das partes peculiares dos "homenageados".


Ao observar as caricaturas do século XIX, noto que a maioria dos artistas faziam um retrato quase fidedigno da pessoa e colocava num corpo pequeno, o grande Ângelo Agostini seria um exemplo.
Mas para se sair bem nesta deliciosa parte das artes gráficas, o segredo como vocês já devem saber, é exagerar aquilo que a pessoa tem de mais característico, aumentando ou diminuindo. Só isto? Não, claro que não. Há que ter o "feeling", o estilo próprio. E isto como em tudo, só o treino, a observação arguta e os estudos sobre o tema.
A prática faz toda a diferença. Quando trabalhei no SENAC de Brasília, para defender um extra, eu fazia a caricatura de deteminada pessoa de um setor (alguns se divertiam da maneira como eu as via, outras nem tanto), e jogava um verde: Gostou? Custa "X". Alguns pagavam, outros não. Era um valor simbólico, mas o que eu ganhava na semana dava pra passear com a namorada no sábado e domingo. O fato é que com o tempo fui ficando melhor na coisa, ao ponto de criar rápido e de forma natural. Mas como eu disse, esta nunca foi a minha praia. Nunca fiquei confortável com desenhos de humor, aliás com o humor de um modo geral.


Numa época da minha vida eu quis trabalhar no Correio Brasiliense como chargista. Havia lá o Cássio, artista muito conhecido da Capital Federal. Tinha alguns amigos que eram íntimos dele, mas nunca nos cruzamos, cheguei a fazer algumas charges, tiras e caricaturas. Mas por me achar muito verde para a função, nunca tive coragem de levar à redação do jornal para a apreciação de alguém. Não sei por onde anda este material, deve ter se perdido em alguma mudança, o que sobreviveu do período foram os desenhos que vocês conferem hoje. Figuras políticas bem populares daqueles tempos, como Jânio Quadros, Mailson da Nóbrega, Delfin Neto, Ulisses Guimarães.... bem, Sarney e Lula estão aí até hoje.
Estes rabiscos não são lá grande coisa, mas pra mim lembram vivídamente uma época.

4 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Rapaz, obrigado pelo carinho dos votos de "níver" lá no blog. Estou chegando perto do meio século, kkkk. Nem acredito que passou tão rápido. Mas ainda há muita lenha pra queimar, kkk...
    Acho que suas caricaturas são muito boas. Compartilho com vc, a sensação de que a caricatura não é o meu forte. Até faço alguma coisa, mas vejo que grandes caricaturistas têm algo mais. Um fogo, um olhar penetrante e incisivo, que tira do caricaturado mais do que a aparência. Eu, no máximo, tento fazer um retrato c/ um corpo caricato, como vc mencionou sobre a carica do séc. XIX.
    Mais uma vez, brigadão pelo carinho,
    Abração,

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  2. Nem há o que agradecer meu velho, você merece tudo de bom.
    Quanto a caricatura, eu acho que como qualquer técnica, se você malhar muito, acaba adquirindo a manha, o olhar aguçado para perceber as características do caricaturado, e assim fazer um trabalho legal. Apenas, no meu caso, não é a área das artes que me satisfaz plenamente, daí eu não me dedicar a ela com mais afinco. Me sinto mais a vontade no drama e tragédia do que na comédia.
    Obrigado e um abração.

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  3. Também nunca fui bom em caricaturas. Até por falta de vontade. O máximo que fiz, não sendo retratação foto realística... foi estilização. Como um desenho do escritor Érico Veríssimo feito no pra uma exposição na escola homônima, quando estudei lá, no Ensino Médio. Até me pediram um do Capitão Rodrigo (de O Tempo e o Vento), só que menor. Devem ter jogado fora os cartazes, porque nunca me chamaram pra devolver. E a capa de um trabalho meu de Literatura, sobre Carlos Drummond de Andrade.

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    1. Pena que não te devolveram seus trabalhos, seria legal vê-los. Também é importante para comparar o progresso da técnica.

      Nunca deixe de fazer pelo menos um desenho por dia, nem que seja só um esboço.

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