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quinta-feira, 14 de abril de 2011

DOIDO EM TODA A PARTE.

Um louco entrou num colégio em Realengo e provocou uma chacina.
Realengo.
Morei lá perto no período em que residi no Rio. Fato terrível. Não vou comentar o caso. Os "especialistas" cuidam do assunto. É um tema delicado e qualquer pessoa que se manifestar a respeito, nos dias de hoje, se não estiver alinhado com a maioria, pode ser vilipendiado em praça pública.
Com certeza aqueles que são a favor do desarmamento usarão fartamente esta tragédia em suas campanhas. A coisa já começou inclusive. Querem realmente que estejamos mais ainda a mercê da bandidagem. Infelizmente a revisão do Código Penal, prisão perpétua para crimes hediondos, aparato adequado e salário digno para a policia nunca são alvos de debates sérios. Pena. A coisa só vai piorar.
Tem maluco em toda a parte, já fiz um post comentando isto, lembram? De vez em quando me esbarro com um.
No início dos anos 90, certa noite fui até a Livraria Muito Prazer que ficava ali no centro velho de São Paulo. Havia lá nesta ocasião um cara sentado lendo um álbum encadernado (importado) do Watchmen - isto muito antes desta obra ter tal relevância . Conversei um pouco com o proprietário e não lembro mais porquê, aquele indivíduo se chegou e entrou no assunto. O cara era um fanático pela obra do Alan Moore e Dave Gibons. Estava lendo o gibi pela enésima vez, aquele item importado ele havia comprado, e estava pagando em prestações, ou seja, dava um tiquinho num dia, outro tiquinho noutra semana, e assim ia. O dono da loja me falou que aquele cara não era certo da cabeça, e só iria permitir que levasse o livro quando pagasse o último vintém. Numa outra noite voltei lá e o tal cara sentado num banquinho, lendo mais um pouco da sua quase propriedade. O capítulo em questão era aquele em que o Doutor Manhathan constrói um castelo em Marte. O figura me perguntou se eu gostava de Watchmen, respondi que sim, mas das obras do Alan Moore aquela não era a minha preferida, eu gostava mais do Monstro do Pântano. Aí o camarada veio com papo metafísico que o Manhathan era o arquétipo de Deus e outras teorias tais. Ou seja, o cara gostava de procurar pelo em ovo e levava isto a sério. Em seguida me indagou se eu conhecia Nietzsche. Sim, conheço. Já leu alguma coisa dele?  Já li "Assim Falou Zaratustra". Gostou? Não, respondi.
Neste momento o proprietário disse que ia fechar a loja. Me despedi deles e me encaminhei para a saída. O carinha devolveu seu quase livro e correu atrás de mim na rua. Queria saber porque eu não gostava do filósofo alemão. Não me recordo exatamente o que falei na ocasião, mas  foi algo do tipo, que a filosofia anti-cristã de Nietzsche era enojante. E não foi a toa que este papo furado sobre super-homem foi usado como propaganda nazista. O cara me olhou com uma expressão de ódio e disse que eu não sabia o que estava falando. Eu afirmei que sabia sim, disse que também não gostava de Sartre. Ainda com aqueles olhinhos cheio de rancor, ele retrucou que fazia parte de um grupo que estudava a fundo a obra do bigodudo e que eu deveria conhecer melhor, abriria a minha visão, e que isto salvaria a minha vida. Vendo que aquilo poderia não acabar bem, me despedi e virei as costas, o cara me segurou pela manga do casaco.
Hei me solta ô cara!
D-desculpe, olhe, onde é a sua casa? Po-podemos ir até lá, aí conversamos melhor, eu te convenço porque Nietzsche é tão importante, aí você será uma outra pessoa!
Dei uma desculpa qualquer e me desvencilhei daquele maluco antes de quebrar a cara dele.
Sei lá, o rapaz, podia ser  incoveniente mas inofensivo. Ou não. A mim pareceu que a qualquer momento ele poderia aloprar e fazer alguma merda.
Não apareci mais na Muito prazer à noite. Soube depois que o cara terminou de pagar o livro e nunca mais voltou.
Só sei que diante destas coisas todas, pela fé, eu me agarro às palavras descritas no Livro Sagrado: "Se Deus não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela".
Após um papo sinistro como este, relaxemos um pouco com este desenho que fiz (acho) a uns dois anos.
Au revoir.

4 comentários:

  1. É... e ainda queria ir na tua casa. Vá que fosse um psicopata metido a "pregador", querendo fazer lavagem mental.
    Ah, tá...

    Lembra que você até comentou sobre minha postagem do loucão que queria me espancar, achando que eu fosse gay, né?

    Falta discernimento e apoio pra muita gente. Gosto até de citar (meio de zoeira):
    "Depois, querem culpar o PICA-PAU (ou outros desenhos) pelas desgraças ocorridas e depois mostradas em jornais."

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  2. Belo desenho. História interessante, eu não conhecia.
    Quanto a quererem retomar essa coisa de desarmamento, não faz o menor sentido. E a população sabe disso. Até parece que ninguém sabe que o perturbado de Realengo comprou as dele no mercado negro. Desde quando bandido usa arma adquirida legalmente? Só querem deixar o cidadão de bem mais vulnerável.
    Abç, amigo!

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  3. Fala, ANDF, pois é como já comentamos, é só sair na rua e esbarramos com um miolo mole (ou quem se faz de), o jeito é manter a cuca fria e não agir impulsivamente. Mas cá entre nós, eu diria que no caso da tragédia de Realengo, os caras que humilharam o doido, tem sua parcela de culpa no caso. De uma forma bem indireta, mas tem. Trote nas universidades, bulling.... cara a vida já é tão difícil sem essas coisa! Os idiotas ganham o quê com isto?
    Abraços.

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  4. Salve, Kaique.
    Pois é, pelo visto não vão descansar até deixarem a população totalmente vulnerável aos vagabundos, por que eles, é claro, não vão desarmar.
    É até cansativo ficar repetindo estas coisas.
    Um abraço irmão.

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