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terça-feira, 26 de abril de 2011

DAS ANTIGAS.

Ao voltar para São Paulo em 92, eu desenhava compulsivamente.
De tudo.
Principalmente corpos humanos.
Femininos preferencialmente.
Eram mulheres idealizadas.
Não exatamente garotas com quem sonhava ficar, na verdade não me preocupava com isto. Viver daquilo que era a única coisa que sabia fazer, preenchia todos os meus pensamentos. Embora me sentisse extremamente solitário naqueles dias, não havia espaço para romance. Enquanto meu lugar ao sol não despontava no horizonte, com algum tempo que dispunha, eu tratava de aperfeiçoar os tais dotes artísticos.
Nunca segui uma regra. Nenhum método. Nada. Somente minha intuição. Lógico que tive noções de chiaro/escuro com um mestre no Rio de Janeiro (estou devendo um post sobre ele), e recebi dicas valiosissimas de feras no assunto, mas 90% do que sei ( ou penso que sei ) vem das minhas observações sobre os trabalhos de grandes autores (clássicos e contemporâneos) e da minha teimosia em conseguir os efeitos que traduzam o que vislumbro dentro da minha mente. E eu nunca consigo. A insatisfação é perene. Sempre acho que tal e tal detalhe poderia ter sido melhorado. Com o tempo passei a não julgar mais o meu trabalho, e nem me preocupar com o que os outros vão achar dele. Há os simpáticos que dirão que isto é positivo, pois evita a estagnação, mas não sei. Ainda persigo aquela obra, aquela HQ, o fruto dos meus esforços que eu possa olhar depois de um tempo sem me sentir contrangido. Acho que isto tem tudo a ver com o fato d´eu evitar os espelhos.
A mulher retratada nesta ilustração não era exatamente como eu a via, mas me atrevo dizer que era como eu a sentia. Ou antes, como gostaria que ela fosse. Como já disse, se ficou um bom trabalho ou não, que os outros julguem. Minha preocupação no momento em que riscava no papel, era de estampar no espaço em branco, não o que via com os olhos, mas o que eu sentia com a minha alma. Foi assim com quase todos os desenhos que fiz durante esta fase, as primeiras postagens deste blog estão cheios destes exemplos. Mesmo hoje, quando meus serviços são requisitados, eu tento não me deixar levar pelo racionalismo, mas permitir que a fantasia ocupe o espaço. Por isto que em trabalhos que requerem pesquisa histórica, como Edgar Allan Poe, eu sigo mais a intuição que a lógica. Retrato a coisa não exatamente como ela foi ( porque não há como saber com certeza ), mas como acho que deveria ter sido. Assim deixo na obra a minha marca, o meu pensamento, a minha alma.

                           

4 comentários:

  1. Ficou show!
    De longe, parece uma foto de revista masculina.

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  2. Fala, Eduardo! E aí como foi de páscoa? Eu inventei tanta coisa pra cuidar em casa que me cansei mais do que em semana normal, kkk.
    Rapaz, vc é como o Celso; têm tanta produção que fico me perguntando quando dormem...!
    Abração,

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  3. Salve, Gilberto, minha Páscoa foi rotineira. Trabalhei, ajudei A Verônica com os preparativos dos comes e bebes dos feriados, enfim, assim como você, não deu pra descansar. Mas não me queixo. A vida se impõe e se não quisermos ficar para trás temos que aceitar a tarefa. Bola pra frente.
    Quanto a minha produção, bem, não acho ela assim tão grande, mas quem disse que eu durmo?

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