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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CINCO MINUTOS ( 06 )

Pois é, meus caros amigos e amigas, os bancos estão parados e ontem fui pagar minha conta de luz numa lotérica próxima da minha residência. A fila estava absurdamente comprida, mais do que vocês podem imaginar. Não sabia que além da greve dos bancários a mega-sena estava acumulada, não me ligo nestas coisas. Desisti. Tem sempre trabalho me esperando. Voltei hoje cedo, afinal, soube por minha esposa que alguém do Rio Grande do Sul ganhou o grande prêmio. Bom pra ele.
Levei um livro pra ler, a fila podia estar grande ainda. Não fiquei surpreso, estava ENORME. Não pude me concentrar na leitura. Havia um carrinho (chamo assim na falta de nome melhor) vendendo CDs e DVDs piratas tocando uma música de péssima qualidade numa altura vergonhosa.
Não sei, li certa vez que quanto mais musical é um povo, menor desenvolvimento tem o lugar onde ele vive. Tem lógica, decerto se o cara batucasse menos, ele produziria mais. O artigo dizia ainda que São Paulo não tinha tantos expoentes musicais (Adoniran Barbosa e mais quem?) como nos estados do nordeste. E as diferenças entre as duas regiões eram discrepantes. Mas pensando bem, esta tese não se aplica a tudo ou a todos. Afinal, os negros na Lousiania não trabalhavam melhor entoando hinos de louvor a Deus, dando inicio assim ao movimento Gospel?
Bem, deixando estas teorias de lado e voltando ao meu desabafo, não pude ler meu livro também porque por azar, sempre tem alguém puxando assunto, reclamando da vida. À minha frente uma mulher encontrou um velho conhecido e começaram aquele papo, "ah, como você está linda!", "como vai fulano?","ah, fulano tá com 13 anos, completou na semana passada..." e essas coisas.   Sou um cara muito chato, né? Já disseram que com este temperamento eu deveria morar sozinho numa cabana no meio do mato. Concordo.
Uma vez que adentrei à lotérica, reparei que haviam duas filas. Uma delas reservada à terceira idade. Pobres dos velhos, pondero. É triste pensar que depois de uma vida inteira de lutas para criar filhos e construir uma sociedade, esta mesma os abandona à própria sorte, tendo que viver de migalhas dadas por um governo carregado de iniquidade, como bancos reservados em coletivos que andam sempre lotados e coisas do tipo.
Paguei minha conta e voltei pra casa refletindo, em tempos passados estas situações serviam de combustível para as minhas criações, hoje não tenho mais vontade de fazer HQ como desabafo. Não no presente momento.
Ontem terminei mais uma ilustração. Trata-se da capa de uma edição especial do Fantasma, o espírito que anda, ainda sujeita a aprovação pela King Features Syndicate. Assim que obtiver permissão pretendo posta-la aqui.

O desenho de hoje é um dos que compõe o romance Cinco Minutos. Fico conjecturando, será que os dias do José de Alencar eram melhores? A Bíblia Sagrada nos assevera que não é sábio fazer este tipo de indagação. Sei que naquela época além de haver escravidão institucionalizada, morria-se das mais diversas doenças. Mas, sei lá... Ainda que pareça piegas, será que eles tinham mais tempo pra observar o por do sol?
Será?

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